Em Buenos Aires
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Uma "casa cor" à moda antiga

Sabe aquele passeio tão bonito, mas que é tão fácil e tão perto de casa que a gente nunca vai? No meu caso, este lugar é o Museu de Arte Decorativo. Nos últimos dois anos, passei em frente quase todos os dias, tirei fotos da fachada e fui ao restaurante que fica nos jardins, mas nunca entrei. Nunca, até ontem.

No meio da mudança, com a casa cheia de malas e tantas coisas pra fazer, resolvi finalmente visitar este museu junto com o Tomás. Ninguém acredita, mas é verdade que ele gosta de visitar museus. Ficou animado quando eu disse na saída da colônia de férias que íamos conhecer um novo. E ele achou que parecia um castelo. Parece mesmo!! As lareiras e chaminés também chamaram a atenção do Tomás, por causa da história dos três porquinhos que ele tanto gosta.

A casa, que pertenceu à família Errazuriz Alvear, foi construída no início do século passado e dá uma amostra do que foi Buenos Aires naquele tempo. Hoje, abriga uma grande coleção de móveis antigos, objetos de decoração e obras de arte. Vale a pena conhecer, principalmente, quem gosta de arquitetura e decoração.






quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um coração partido e mais um ciclo que se fecha

Hoje foi o último dia de aula do Tomás e amanhã será a festinha de encerramento. Eu já chorei na última reunião, na despedida das “maestras” e dos amiguinhos e amanhã vou derramar mais algumas lágrimas de emoção. Não tenho a menor vergonha de assumir que junto com o Tomás nasceu uma mãe e uma chorona.

Nestes últimos dias, eu vou revivendo alguns momentos, tentando guardar outros na memória e tentando prolongar outros ao máximo. O tempo passa muito rápido e, com filho pequeno e tantas mudanças de cidade e país, isso fica ainda mais claro. Os meus três últimos anos foram doces, doces... E é por isso, que o fim da escola mexe tanto comigo.

Não é só porque a gente vai embora da Argentina, vai começar outra vez em outra cidade, nem porque eu gostava tanto da escola. Mas porque é o fim de um ciclo e de um período muito gostoso da vida do meu filho. Quando chegamos aqui, ele era um bebê e agora já é quase um menino grande, como ele gosta de dizer.

Lembro da primeira vez que o deixei na escola. Ele ficou chorando. Tudo tão diferente das creches que estamos acostumados no Brasil, com outros hábitos e outra língua. Mas o deixei, mesmo me achando meio maluca. E hoje vejo que foi a melhor coisa que fiz.

Foram tantos lindos momentos. De levá-lo e buscá-lo, conversando e cantando pelo caminho, ouvindo as primeiras palavras em espanhol, depois as duas línguas cada vez mais misturadas e separadas. De festinhas, de passeios na praça depois da aula. De casas de amigos e amigos em casa.   

Tantas canções em espanhol que nunca aprendi a cantar direito, um “auto de papá” e “um chino capuchino”. Fizemos brigadeiro na escola e levamos pão de queijo. Aprendi que um pentagrama é “uma coisa de clave de sol”, que uma antologia “é um livros com cuentos e poesias” e que a Frida Khalo fazia auto-retrato.  

E um dia o Tomás chegou falando de um Gugaglim. Perguntei quem era e descobri que é um senhor que fez uma pintura chamado o beijo. Eu adoro Gustav Klimt e fiquei encantada. Uma escola que ensina Gustav Klimt e Frida Khalo é mesmo pra me fazer chorar.

Então aguenta coração, porque amanhã tem mais emoções. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Museu argentino é dedicado ao fantoche

Em Buenos Aires, tem museus pra todos os gostos. Desde os mais convencionais de arte a museus modernos e interativos, além de muitos temáticos - dedicados por exemplo ao cinema, à literatura, arquitetura, tango, futebol.

Há alguns dias, visitamos um que ainda não conhecíamos. O Museu Argentino del Títere ou do fantoche. O lugar é bem interessante, com mais de 600 fantoches de diferentes épocas e países do mundo. Nos fins de semana, também oferece apresentação de fantoches.

Assistimos a história de um pirata que chega para roubar as riquezas dos índios. Ao contrário do que aconteceu na vida real, a história tem um final feliz e os índios são os vencedores.

A apresentação me trouxe boas lembranças da minha infância. No Ceará, há (ou pelo menos havia) uma forte cultura de teatro de fantoches. Por isso, tem até uma expressão muito popular (usada com os mais variados sentidos) que é "botar boneco".

Eu não diria que vale a pena se deslocar de outra parte da cidade só para visitar o museu, pois, apesar de ser interessante, é pequeno. Mas fica bem perto da Feira de Antiguidades de San Telmo, parada quase obrigatória de quem visita Buenos Aires. Então, por que não dar uma passada ali depois da feira?Principalmente, pra quem admira a arte ou viaja com criança.

A entrada é gratuita, o ingresso só é cobrado para as apresentações.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Acho que vi um gatinho



Por aqui as férias escolares são maiores do que no Brasil no começo do ano. As aulas do Tomás só começam na sexta (1/3). Por enquanto, ele está numa colônia de férias da própria escola, mas sai mais cedo do que no período das aulas. Por isso, sobra tempo livre e energia pra gastar.

Sempre que posso (quando não estou trabalhando no fim do dia, não está quente demais ou chovendo demais), tento inventar algum programinha depois da colônia pra ele.

Um dos nossos passeios preferidos nestas férias é o Jardim Botânico de Palermo. Acho inclusive que vou fazer nossa despedida das férias lá. Fica perto de casa, é bonito, bem sombreado (importantíssimo nas tardes de calor) e tem muitos gatinhos (daqueles de quatro patas, não me interpretem mal).  

Apesar de ficar próximo a lugares bastante visitados como o zoológico e o bosque de Palermo, o Jardim Botânico costuma passar despercebido por quem transita por ali. É quase um tesouro escondido no encontro de duas das avenida mais movimentas de Buenos Aires, a Las Heras e a Santa fé.

Para quem procura um pouco de sossego no meio da correria e do barulho da cidade grande não pode haver lugar melhor. Muitos arriscam uma soneca na sombra das árvores. Para quem gosta de botânica, são sete hectares com espécies de todos os continentes. Há uma área dedicada à flora brasileira. E quem gosta de gatos vai encontrar inúmeros por lá. Eles são catalogados e cuidados pelos Jardim.

O Tomás adorar admirar os bichinhos. Procura um preto, depois um cinza, um marrom, um amarelo. Se despede de um e vai trás de outro. Tenta encontrá-los quando se escondem. E até conversa: "tchau gatinho preto, agora vou procurar o gatinho cinza."

Estes dois aí da foto, reencontramos outro dia já crescidos, mas ainda juntos. 


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Buenos Aires amplia circuito cultural


Por Marina Mota | Para o Valor, de Buenos Aires
Divulgação / Divulgação
Aberto em 2012 em Puerto Madero, o Museu do Humor é resultado da reivindicação de mais de uma década de artistas gráficos e cartunistas locais
No tradicional bairro de San Telmo, um dos mais antigos de Buenos Aires, na Argentina, e conhecido pelas vendas de antiguidades e casas de tango, um moderno prédio espelhado contrasta com a arquitetura. Lá funciona, desde setembro, o Museu de Arte Contemporânea de Buenos Aires (Macba).
O novo espaço cultural é mais um investimento privado nas artes, seguindo o exemplo do mais antigo e conhecido Museu de Arte Latino Americana (Malba), do empresário do mercado financeiro e imobiliário Eduardo Constantini, e de iniciativas recentes como a Coleção de Arte Amalia Lacroze de Fortabat e o Faena Arts Center.
O Macba possui coleção com ênfase na arte abstrata geométrica. O acervo foi iniciado nos anos 1980 pelo consultor do mercado financeiro Aldo Rubino, reunindo obras de artistas como o venezuelano Carlos Cruz-Diez, os argentinos Enio Iommi, Gyula Kosice e Raúl Lozza (1911-2008) e os brasileiros Lothar Charoux (1912-1987), Almir da Silva Mavignier e João José Costa da Silva.
A curadora do museu e mulher de Rubino, Constanza Cerullo, não revela o valor gasto na obra de construção do prédio nem na aquisição das obras, mas afirma que existe uma demanda para justificar esse tipo de investimento. "Buenos Aires sempre foi um polo artístico importante. O público é bastante receptivo a atividades do setor cultural", diz.
Em apenas quatro meses, o Macba recebeu 15 mil visitantes. No ano passado, mais de 5 milhões de pessoas visitaram os museus de todo o país, segundo levantamento divulgado pela agência de notícias do governo argentino, a Télam. O recordista é o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), de entrada gratuita, com 1,4 milhão de visitantes.
O Macba destaca a arte abstrata geométrica
O Malba recebeu mais de 340 mil pessoas e, de acordo com o Observatório de Turismo da Cidade de Buenos Aires, é o segundo mais visitado por estrangeiros, atrás apenas do Museu Evita. Inaugurado em 2001, atrai especialmente a curiosidade dos brasileiros por guardar um tesouro: o "Abaporu", de Tarsila do Amaral (1886-1973), comprado por US$ 1,5 milhão em 1995.
Embora ainda menos conhecidos, a Coleção Fortabat e o Faena Arts Center têm pelo menos um ponto forte para se consolidarem no roteiro dos estrangeiros: a localização em Puerto Madero.
O bairro é uma antiga região portuária que se converteu na maior aposta imobiliária da cidade e tem grande apelo turístico. O primeiro abriu as portas em 2008 para exibir a coleção particular da empresária Amalia de Fortabat, que morreu no ano passado. Já o Faena, inaugurado em 2011 num moinho centenário, é um espaço para grandes instalações, como o crochê suspenso do brasileiro Ernesto Neto, exposto no ano passado.
O setor público também investe em novos espaços culturais. Do governo federal, um dos destaques é o Museu do Livro e da Língua, na Recoleta, que, embora menor, tem aspectos em comum com o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, como interatividade e acervo virtual.
"Visitamos o museu brasileiro e vimos que nosso orçamento era muito menor. Mas nos alegra quando os brasileiros chegam aqui e dizem que há semelhança entre os dois", diz Cecília Calandria, assessora cultural da Biblioteca Nacional, à qual o museu é vinculado. O custo do espaço, que mostra a história da língua escrita e falada na Argentina, foi de 12 milhões de pesos em 2011, cerca de R$ 5 milhões.
Em maiores proporções são as cifras da Prefeitura de Buenos Aires, que tem à frente Maurício Macri, um dos principais opositores da presidente Cristina Kirchner. Um exemplo foi o investimento de mais de 110 milhões de pesos, ou cerca de R$ 50 milhões, para transformar uma usina elétrica do início do século passado, na Boca, em uma casa de espetáculos para até 1.200 pessoas na sala de concertos e 400 na destinada a orquestras de câmara.
A Usina das Artes abriu as portas em maio. Para o vice-diretor do espaço, Gustavo Mozzi, a qualidade acústica é um destaque. "Temos a melhor acústica depois do Teatro Colón", diz.
Ao lado da Usina, foi reinaugurado, numa nova sede em 2011, o Museu do Cinema Pablo Ducrós Hicken, depois de ficar fechado por sete anos. "Já veio gente do México, do Uruguai para conhecer e levar o modelo a outros países", diz a diretora Paula Didier sobre o espaço, destinado exclusivamente à memória do cinema numa configuração de museu.
Divulgação
A Usina das Artes recebe orquestras e concertos
O acervo tem raridades como uma das nove câmeras dos irmãos Lumiére existentes no mundo e uma cópia com trechos inéditos de "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang, além de figurinos, croquis, roteiros originais e mais de 60 mil latas de filmes, principalmente do cinema argentino.
Outra novidade do circuito cultural portenho é o Museu do Humor, instalado no prédio da cervejaria Munich, dos anos 1920, em Puerto Madero. O lugar abriu as portas no ano passado para contar a história da arte gráfica argentina desde o século XIX.
O país tem tradição na área, com nomes de sucesso mundial, como o cartunista Quino e a sua mais famosa criação, Mafalda. Segundo o diretor do espaço, Hugo Maradei, a inauguração do museu é resultado de uma reivindicação de mais de uma década de artistas gráficos e cartunistas locais.
O circuito turístico do humor se completa com o recém-lançado Paseo de la Historieta. A ideia é instalar até o final deste ano estátuas de 15 personagens, a partir da Mafalda, que ocupa uma esquina de San Telmo desde 2009, seguindo pelas ruas do bairro de Montserrat até chegar ao museu. "Para transformar os desenhos 2D em monumentos 3D contamos com a ajuda dos próprios cartunistas", afirma Maradei.
A maioria dos investimentos se concentra na zona sul da cidade, área mais pobre (com exceção de Puerto Madero) do que a zona norte, onde estão bairros como Palermo e Recoleta. Uma lei municipal, aprovada em dezembro, transforma parte da região em Distrito das Artes e prevê incentivos, como isenção de impostos sobre faturamento por dez anos, descontos de impostos que vão de 25% a 35% do valor dos investimentos, além de possibilidade de linha de crédito do banco municipal.
"É uma região que convoca artistas naturalmente e, transformada em corredor cultural, vai se desenvolver da melhor forma possível", diz Mozzi.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Uma exposição de animais pré-históricos


O Tomás adora animais e tudo que tem a ver com eles. Música com animais, histórias, brinquedos e passeios, claro. Mas tem uma predileção especial pelos dinossauros.

No ano passado, visitamos um parque temático de dinossauros e ele não esqueceu até hoje. Vive falando que foi para um "zoológico" de dinossauros, que eles são grandes, tem patas pequenas e boca larga (assim mesmo, misturando português e espanhol). Ah, e fazem Ahrrrrr!!

Quando eu e o César vimos o anúncio de mais uma exposição com dinossauros, não tivemos a menor dúvida de que seria o nosso programa do fim de semana. E o Tomás mais uma vez adorou.

A exposição, na sede da Rural em Palermo, vai até 24 de fevereiro e é uma viagem no tempo desde a era do gelo até os dinossauros. Ou seja, os "bichinhos" que meu filho tanto gosta são só uma parte desta história. Há diversos outros animais: mamutes, pinguins gigantes, elefantes pré-históricos e até alguns antepassados nossos.

Parte menor ainda desta história somos nós, seres humanos. Um filme em 3D exibido no local divide o tempo no planeta terra em pequenos quadradinhos em folhas de papel exatamente para ilustrar a nossa pequenez diante da grandeza do tempo e do universo. A humanidade é apenas uma folha dentre centenas.

Vale dizer que os dinossauros desta vez não são tão reais como os que vimos em Tecnópolis. Mas para quem é criança e tem imaginação de sobra, como o Tomás, acho que nem faz diferença. Bom mesmo é viajar no tempo.
 



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Nosso adeus ao metrô mais antigo do mundo


O metrô mais antigo do mundo ainda em circulação era o da linha A de Buenos Aires, que deixa de funcionar hoje (11/01). A gente foi lá se despedir. E o que mais tinha era gente com câmera na mão. Jornalistas, turistas, curiosos ou mesmo quem usava os vagões de madeira só como meio de transporte queriam um último registo. Também fiz os meus.

A semana por aqui foi marcada pela polêmica da retirada dos trens antigos. Para a substituição por outros mais modernos, a linha vai ficar quase dois meses sem operar, deixando muita gente sem transporte ou sem ganha pão, no caso dos comerciantes das estações da linha, que liga a praça de Maio a Carabobo. Fora, claro, a perda de um patrimônio histórico.

Os vagões ainda em funcionamento eram os mesmo fabricados pela empresa La Brugeoise e importados da Bélgica há quase um século. Em 1913, Buenos Aires foi a décima terceira cidade do mundo e a primeira da América Latina a ter serviço de metrô. No Brasil, o transporte subterrâneo só chegou nos anos 1970. 

Depois de um bombardeio de críticas, a prefeitura já prometeu ressarcir os comerciantes e preservar os vagões antigos, transformando-os em bibliotecas a serem instaladas em praças públicas. Tomara. Mas mesmo assim, Buenos Aires vai perder um pouco de charme.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

8N ou o cacerolazo mais alardeado do ano

A expectativa é de uma noite difícil para o governo argentino. Logo mais, manifestantes prometem tomar as ruas de Buenos Aires e de outras cidades do país com panelas em punho para mais um cacerolazo ou panelaço - forma de manifestação que ficou famosa no auge da crise de 2011.

O movimento de hoje vem sendo chamado de 8N em alusão à data 8 de novembro e a uma campanha do governo que chamou de 7D o dia 7 de dezembro, quando o Grupo Clarín deve ter que se adequar á lei de medios, que restringe a propriedade dos meios de comunicação no país.

O calor atípico para esta época do ano resultou numa sobrecarga do sistema elétrico e deixou parte da cidade sem luz nos últimos dois dias. Também houve problemas de fornecimento de água e uma greve que está deixando a cidade coberta de lixo. Tudo isto pode ser um motivo a mais para os manifestantes, que inclusive já protestaram nos bairros contra os cortes de luz.

As queixas são as mesmas dos cacerolazos que estão tomando forma há alguns meses e conseguiu reunir milhares de pessoas no dia 13 de setembro - maior protesto contra o governo desde 2008: insegurança, corrupção, inflação, o projeto de re-reeleição e, principalmente, as restrições à compra de dólares.

A mobilização é toda feita pelas redes sociais, o que já é cada vez mais comum não só por aqui. Maior exemplo disso foi a primavera árabe.

Pelo twitter e facebook, há mensagens a favor e contra o movimento. Os aliados do governo criaram um grupo chamado "8N yo no voy", ainda menos popular nas redes que o dos oposicionistas.

As trocas de farpas e acusações não se restringem ao formato 2.0. Tomam conta dos jornais, das ruas, dos discursos políticos. A cidade amanheceu com cartazes dos dois lados.

Os aliados do governo costumam desqualificar os protestos porque os manifestantes são principalmente gente de classe média, "burguesa". E daí? São cidadãos com pleno direito de protestar.

O meu primeiro panelaço foi em maio, assisti praticamente da janela de casa. O de hoje, se vocês querem saber se yo voy o no voy, digo: Yo voy. Mas vou trabalhar. Por enquanto, nada de bater panela.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para os amantes da fotografia

Quem adora fotografia como eu não podia estar em lugar melhor nos próximos dias que em Buenos Aires. Não apenas porque a cidade é inspiradora e dá mesmo vontade de sair clicando por toda parte, mas também porque amanhã (26) começa o oitavo Buenos Aires Photo, maior festival de fotografia da América Latina, no Centro Cultural Recoleta.

A mostra vai expor fotos de mais de 30 galerias da Argentina, Peru, Uruguai, Espanha, Bolívia e Estados Unidos. Os organizadores prometem os mais variados estilos e tendência da fotografia contemporânea.

O destaque deste ano é o fotógrafo catalão Joan Fontcuberta que vai ter uma sala exclusiva para a exibição de seus trabalhos mais famosos e ainda fazer uma palestra para o público.

Fotografias inspiradas em temas atuais como sustentabilidade e cultura pop vão dividir espaço com obras do passado de nomes como Annemarie Heinrich, Grete Stern e Horacio Coppola. Pena que dura pouco, só até  segunda-feira (29).

A obra de Coppola pode ser conferida também até 10 de novembro na galeria Jorge Mara, pertinho da livraria Ateneo. São 84 fotos de um dos mais famosos fotógrafos argentinos, que morreu em junho com 105 anos.

E já que falei lá em cima que Buenos Aires é mesmo inspiradora, vale dizer que a mostra é centrada especialmente em registros de espaços urbanos também do Rio de Janeiro e de cidades européias (todas inspiradoras, diga-se). O uso das sombras e da profundidade das fotos chama a atenção na obra.

Não à toa, afinal Coppola teve uma longa vida, ele é considerado o fotógrafo que registrou quase um século de história da capital portenha. Muitas das imagens diferem do cenário atual apenas pelos carros, roupas, publicidade. Ou seja, a memória aqui parece mais preservada.

Virando a esquina, logo na saída da exposição, nos deparamos um prédio demolido para construir outro no lugar, mas com a fachada intacta. Talvez não seja mera coincidência.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Teatrinho para bebê ou danza a upa

Upa é o mesmo que dar braço ou colo. O Tomás, que mistura muito os dois idiomas, às vezes pede do nosso jeito e em outras à moda argentina. Eu acho lindo quando ele diz: mamãe, quero upa (assim mesmo, em português e espanhol ao mesmo tempo).

E Danza a Upa é um espetáculo de teatro concebido para bebês de oito meses a três anos. É curto, só dura meia-hora e tem muita cor e movimento. Eu achei que o Tomás ia ficar meio inquieto e ficou mesmo, mas só até a peça começar. Aí, assistiu quietinho e boquiaberto.

O local da apresentação chama Teatro del Angel (achei lindo o nome). No site deles, diz que é o primeiro teatro para bebês da Argentina (não sei se tem um lugar assim no Brasil, mas deveria). As arquibancadas são baixas para que os pequenos possam subir e descer e tem colchonetes espalhados pelo chão. Ou seja, seguro até para os mais levados como o meu filho.

Fomos conhecer este teatrinho no dias das crianças argentino, em agosto. Amanhã, é dia das crianças no Brasil e eu espero comemorar com o Tomás da mesma forma, com um passeio legal, carinho e atenção. Quem sabe um pique-nique, um cinema ou outro teatrinho? Ainda não escolhi o passeio, mas programação cultural e infantil por aqui é o que não falta.

O que certamente não vai ter no dia das crianças dele (na data brasileira ou na argentina) é presente caro. Não sou a favor de estimular o consumismo e na minha vida atual, nem tem espaço pra isso. Daqui um ano ou dois, vamos embora e quanto menos coisa pra levar, melhor.

Sempre estraguei os afilhados e filhos de amigos, então, deixo esta missão para os avós e tios do Tomás. De mim, ele recebe educação, atenção, muito amor e carinho. Ah, e upa também.

A gente brinca, cozinha e cuida das plantas juntos, faz acampamento na sala de casa, dança, canta, vai ao cinema, ao teatro, ao parquinho. Já transformamos uma caixa de ar-condicionado em teatro de fantoche, fizemos bonecos com rolos de papel higiênico, boliche com garrafa de água e pintamos (ou melhor, sujamos) a casa de tinta várias vezes. E quer saber? Acho que é mais divertido assim.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sorria, você está em Buenos Aires

Tomás com a Mafalda

Até quem não é fã de quadrinhos, pelo menos, já ouviu falar no argentino Quino – mais famoso cartunista do país – e na sua Mafalda – a menina contestadora e preocupada com a paz mundial, que nasceu nos anos 1960 e ganhou notoriedade em todo o mundo.

Os turistas que visitam Buenos Aires fazem fila para tirar fotos com a estátua da pequena notável na esquina das ruas Defensa e Chile, no bairro de San Telmo.

Mas agora Mafalda não está mais sozinha. Ganhou a companhia da escultura de outro personagem, o playboy argentino Isidoro Cañones, criado por Dante Quinterno.

Nos próximos meses, outros personagens, como Larguirucho, de M. García Ferré, e Clemente, de Caloi, também vão ganhar “corpo” nas ruas da capital portenha formando o Paseo de la Historieta. A última estátua do Paseo vai ser do personagem atual e campeão de vendas de livros, Gaturro, do cartunista Nik.

O novo circuito turístico vai ter seis quarteirões, saindo da estátua da Mafalda e seguindo em direção a Puerto Madeo, onde foi lançado recentemente o Museu do Humor gráfico argentino. A ideia é atrair os curiosos até o Museu, que foi inaugurado no prédio (lindo!) de uma antiga cervejaria, La Munich.

Achei o lugar mal cuidado, principalmente, por ter sido inaugurado há tão pouco tempo. Mas vale a visita, até porque fica no Puerto Madero entre o canal onde estão os restaurantes (parada certa dos visitantes) e o Parque da Costanera Sur (pouco conhecido dos turistas, mas adorado pelos portenhos).

No Museu, dá para conhecer um pouco da história do humor gráfico argentinos desde o século XIX até os dias de hoje. Pra mim, ficou faltando a Maitena e suas “mulheres alteradas”, talvez por uma questão de mera identificação.

Pra quem vier por aqui, fica a dica: conhecer um pouco da tradição humorística argentina e sorrir. Aliás (sou suspeita pra falar, porque adoro a cidade), estar em Buenos Aires já é um bom motivo para sorrir.
Fachada do Museu do Humor

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

La inseguridad


Há algum tempo, eu queria tirar fotos dos murais da Evita no Ministério do Desenvolvimento Social, mas quase nunca vou pros lado de lá. Hoje, aproveitei que estava por perto e sentei num café bem próximo ao prédio, na Avenida 9 de julho. Assim que tirei a câmera da bolsa, o garçom me alertou: moça, esconda sua câmera, senão passam uns "chicos" e levam. Só consegui fazer uma única foto (que nem ficou boa, mas postei assim mesmo), tomei meu café rapidamente e fui embora.

Vim pra casa pensando em escrever sobre a sensação de insegurança que percebo em Buenos Aires. No começo, nem me ligava nisso. A cidade é tão linda que ofuscava qualquer perigo. Mas com o tempo, acabei entrando um pouco na onda.

As pessoas falam muito na insegurança, a televisão mostra assaltos o dia todo e a violência é sempre apontada pelos manifestantes como um dos motivos para os "cacelolazos" contra o governo. No site do Consulado do Brasil, tem um alerta para os turistas brasileiros sobre o grande número de furtos. Tudo isso, infelizmente, me lembra muito a minha Fortaleza, onde as pessoas vivem em pânico. A diferença é que aqui ainda não encontrei segurança armado na porta dos comércios, o que é tão comum por lá.

Segundo a última pesquisa do Latinobarômetro, o principal problema do país para o argentinos é a violência, com 35% das citações espontâneas. Para os brasileiros, o principal problema é a saúde com 18%. Mas a percepção pode não ser um retrato fiel da realidade.

A capital portenha tem uma taxa de homicídio de 5,81 por cada 100 mil habitantes, segundo relatório da Justiça Argentina de 2010. A capital brasileira com melhor índice é São Paulo e tem mais que o dobro, 13,7. Fortaleza está em 12⁰ lugar, com 45,9 homicídios por cem mil habitantes e a capital mais violenta, Maceió, com 109,9. Os dados brasileiros são do mapa da violência divulgados neste ano com base em 2010.  

O número de homicídios costuma ser o indicador mais concreto para medir a violência, porque em casos de furto, por exemplo, ou de violência doméstica e sexual, costuma haver muito sub-notificação. Mas não explicam a sensação de insegurança, já que o medo é subjetivo e muito ligado àquilo que nos afeta. Se as pessoas sentem insegurança, deve sim haver uma razão para isto.

Quando comecei a escrever este texto, uma amiga comentou no facebook que sofreu uma tentativa de assalto hoje em San Telmo. Não quero alarmar ninguém, afinal, os números mostram que Buenos Aires é mais segura que qualquer capital brasileira. Mas não custa nada ficar atento e seguir o aviso do Consulado.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Brincando de gente grande



Outro dia, ia caminhando pela rua com o Tomás e, de repente, ele aponta e diz: mamãe, banco, dinheiro. Perplexa, pergunto: e o que a gente faz com o dinheiro? Ele responde: compra. Pronto, criei um mini-capitalista.

Mas, antes que entrasse em pânico e decidisse criar o Tomás numa comunidade alternativa, lembrei como esta história começou. No Museu de los Niños.

Capitalismo ou anti-capitalismo a parte, o passeio (que é pago, obviamente) é super divertido. Uma cidade em miniatura, onde as crianças brincam e aprendem brincando.

Na verdade, meu filho estava apenas recordando que brincou de trabalhar num banco. Depois sacou dinheiro de brinquedo e levou para fazer compras no supermercado. Ufa!! Ele ainda não está contaminado pelo consumismo e, juro, quase nunca me pede pra comprar nada, nem mesmo em loja de brinquedos (até porque se pedir, geralmente, escuta um não).

No Museu de los Niños, o Tomás também dirigiu caminhão, pilotou um navio, trabalhou nos correios, brincou de médico, de frentista de posto de gasolina e de jogador de futebol.

A única parte que ele não viu a menor graça foi brincar de ser jornalista. E olha que ele já sabe que o papai e a mamãe são jornalistas. Mas sempre diz o trabalho dele é ir pra escola e o nosso ficar em casa. Por isso, quando crescer ele não quer ser jornalista, quer andar na corda igual ao moço do parque. Mal sabe ele, que na vida adulta a gente se equilibra todos os dias.









sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Flores pra todo lado

Fui recebida na escola do Tomás hoje com um "feliz primavera". Teve festa, lembrancinha, tudo pra comemorar a estação mais colorida do ano. 

Mas, para minha supresa, as celebrações não são só coisa de escola de criança.

Por toda parte, as pessoas se reuniram, com direito a show no planetário e nos parques. A TV passou o dia mostrando as comemorações pela cidade.

Achei lindo ver todo mundo com roupa florida e carregando flores pela rua. A manicure ganhou um buquê do namorado enquanto fazia a minha unha e me matou de inveja.

Acabei entrando no clima também. Coloquei roupa florida e resolvi enfeitar a casa. E vim aqui desejar feliz primavera pra vocês.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Feira do Livro de Temática Peronista

De hoje até sábado (8), Buenos Aires vai ser palco de inúmeros lançamentos literários e discussões sobre um tema intrinsecamente ligado à argentinidade: o peronismo. A quarta edição da Feira do Livro de Temática Peronista, no Museu Evita, vai reunir editoras, intelectuais e políticos.

São 25 stands com produções sobre peronismo – nem todas são a favor, há autores críticos também – e pelo menos cinco lançamentos diários nos três dias de Feira.   

As mesas temáticas de discussão reúnem para debater, um político, um estudioso do assunto e um militante peronista. A primeira, logo mais a noite, se dedica ao movimento operário. O ministro do Trabalho da Argentina, Carlos Tomada é um dos participantes.

Amanhã, a discussão é sobre as Ilhas Malvinas e, no sábado, sobre mulheres e gestão política (essa me parece a mais interessante). 

No ano passado, mais de três mil pessoas passaram pela Feira. A expectativa para esta edição, segundo os organizadores, é atrair um público ainda maior. Para quem vem a Buenos Aires neste feriado, está aí uma boa oportunidade de conhecer um pouco desta corrente política singular na América do Sul.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Buenos Aires sem gasolina

Na semana passada, não tinha dinheiro nos caixas eletrônicos em Buenos Aires. Desde ontem, falta gasolina. Panelaço de madame de Palermo e Recoleta chama a atenção, rende belas imagens, mas quem tem força pra parar um país é protesto de trabalhador.

O Sindicato dos Caminhoneiros também ameaça cortar a distribuição de alimentos, a coleta de lixo, os correios e colocar 100 mil pessoas e 10 mil caminhões na Praça de Maio. Na noite de ontem, os trabalhadores fecharam a saída da refinaria da YPF pra impedir a saída de caminhões. No embate, o governo mandou a polícia e conseguiu que oito caminhões saíssem com combustível, mas os sindicalistas deram o troco fechando os portões com o lixo coletado na cidade.

A reivindicação é por aumento salarial, claro, por correção da tabela do imposto de renda e por inclusão nos programas sociais do governo. Mas é também uma quebra de braço entre o presidente da central dos trabalhadores, Hugo Moyano, e a presidente Cristina Kirchner.

O sindicalista, que já foi aliado incondicional do kirchnerismo, andou perdendo espaço na relação com o governo e corre o risco de perder a eleição para a presidência da central. Para demonstrar força, colocou o time dele (que são os caminhoneiros) em campo. A presidente antecipou a volta da Rio +20.

Os jornais estão comparando o embate com um divórcio e, ao que parece, em que os dois lados sairão perdendo. Como o inverno começou nesta madrugada, junto com o paro dos caminhoneiros, o César lembrou nesta manhã da famosa citação de Shakespeare na peça Ricardo III: "o inverno do descontentamento."

Foto do site iprofesional.com


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Querem trocar Madonna por Fito Paez e Charly Garcia

O título é só uma brincadeira pra falar de uma nota do El Cronista de hoje que chamou minha atenção. Mesmo tarde, não podia deixar de comentar. O jornal diz que os organizadores dos show de Madonna na Argentina - previstos para dezembro deste ano - estariam com dificuldade para enviar parte do cachê da artista, já que atualmente o país restringe a saída de dólares.

Segundo a nota, o secretário de Comércio Guillermo Moreno, responsável por liberar a saída dos dólares, foi procurado para resolver o imbróglio. Ele teria sugerido como contrapartida a realização de shows dos argentinos Fito Paez e Charly Garcia no exterior, para garantir que o dinheiro enviado voltaria ao país.

A proposta parece estranhíssima, mas tem tudo a ver com a medida de uno por uno, uma das bases de sustentação da política econômica argentina. Aqui, quem quer importar tem que exportar também. Ou seja, tem que ser um a um. Pra vender carrinho chicco ou boneca barbie na Argentina precisa exportar azeite ou vinho, por exemplo.  

Ao que tudo indica e de acordo com o jornal, que é crítico ao governo, o problema já foi resolvido e os fãs podem ficar tranquilos. Não precisa chorar por ela, Argentina.


sábado, 24 de março de 2012

O bar de las Madres

El Revolucionário é o nome do bar que vai ser aberto, logo mais, na sede das Mães da Praça de Maio. A inauguração é apenas uma das atividades para marcar a passagem dos 36 anos do úlimo golpe militar.

A proposta do bar é ser um espaço para encontro político dos jovens, uma forma de fomentar a militância, segundo disseram os idealizadores aos jornais argentinos.

Mas o bar das Mães não é o único temático de Buenos Aires, muito menos o único cujo tema é a política e, digamos assim, a política alinhada ao peronismo. El general, Un café com Perón e Perón Perón são outros exemplo.

O idealizador do Revolucionário é exatamente o proprietário do Perón Perón, bar com direito à altar para "Santa Evita" e o favorito da juventude alinhada ao kirchnerismo. É frequentado inclusive pela filha de Nestor e Cristina, Florencia Kirchner.

Espero conferir em breve e conto pra vocês como é o "novo point", mas pelo que li não faltarão fotos do Che, da atual presidente e do marido, além, claro, dos lenços brancos símbolo das Mães.

Deixo aqui algumas fotos do Perón Perón. Peronismo a parte, é legal e tem boas opções de petiscos.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma biblioteca portenha só para niños


"Reina Batata" é um personagem da escritora e compositora argentina Maria Elena Walsh, que dedicou boa parte do seu trabalho às crianças. Na música da artista, a batata escapa de ir para a panela e acaba sendo salva pela caçula da casa.

Além de virar rainha, a batata foi ainda mais longe. Virou nome de uma biblioteca infantil em Buenos Aires. Uma homenagem à escritora - falecida em 1985 - e um presente para as crianças.

O lugar enche os olhos até de quem já é bem grandinho, então, imaginem do pequenos. O Tomás ficou encantado e só saiu na hora de fechar, reclamando. Em casa, a brincadeira preferida também é com livros.

O acervo da biblioteca é organizado por idade, de 0 a 13 anos. As crianças podem ler e se divertir no local ou levar os livros pra casa, como numa biblioteca para adultos.

E tem ainda uma bebeteca, isto mesmo, uma biblioteca para bebês, com tapete, cabana, livros com textura, tudo muito colorido, do jeito que eles gostam para incentivar o contato com os livros desde bem pequenos.

A biblioteca Reina Batata fica nas Barrancas de Belgrano, um lugar lindo e próximo ao Bairro Chino, que eu já andei falando um pouco por aqui.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quem disse que Buenos Aires não tem Carnaval?

Tem, mas nem parece. Falta animação. Falta gingado. E pior, falta cerveja. Isso mesmo, nos locais onde se realizam as murgas - apresentações populares "carnavalescas" argentinas - é proibido vender bebida alcóolica.

Existem mais de 100 murgas na cidade, de diversos bairros portenhos. Os participantes ensaiam o ano todo e começam a se apresentar antes mesmo do Carnaval. Mas o ápice (se é que se pode chamar assim) foi neste fim de semana.

Nós fomos num dos pontos de apresentação, no bairro de Almagro. Quando chegamos, a pergunta foi: que horas começa?? Pra nosso espanto, já havia começado.

Era a vez da murga Los Inevitables de Flores. Só havia um casal de cantores a la Jane e Herondy no meio do rua. Mas não demorou e veio o resto do "bloco". Mais parecia um desfile de 7 de setembro numa cidade do interior. Trajes simples, danças quase infantis. Não precisa dizer que também não toca samba.

Em alguns lugares do país, dizem, existe um Carnaval mais parecido com o nosso, como na província de Corrientes. Mas só indo lá pra conferir.

Na verdade, o país não tem uma tradição de Carnaval. O feriado foi proibido por mais de 30 anos desde o início da última ditadura e só voltou em 2010.

Eles não sabem fazer um Carnaval como o nosso, mas a gente também não sabe fazer tango como eles. Como já disse um grande poeta brasileiro, "cada um no seu quadrado".

O Tomás foi com a gente e ele sim adorou. Pra quem nunca viu um Carnaval de verdade, qualquer coisa com som e cor é, como ele diz, "naval". Por isso, eu admiro e às vezes até invejo a inocência das crianças.