Em Buenos Aires
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Uma "casa cor" à moda antiga

Sabe aquele passeio tão bonito, mas que é tão fácil e tão perto de casa que a gente nunca vai? No meu caso, este lugar é o Museu de Arte Decorativo. Nos últimos dois anos, passei em frente quase todos os dias, tirei fotos da fachada e fui ao restaurante que fica nos jardins, mas nunca entrei. Nunca, até ontem.

No meio da mudança, com a casa cheia de malas e tantas coisas pra fazer, resolvi finalmente visitar este museu junto com o Tomás. Ninguém acredita, mas é verdade que ele gosta de visitar museus. Ficou animado quando eu disse na saída da colônia de férias que íamos conhecer um novo. E ele achou que parecia um castelo. Parece mesmo!! As lareiras e chaminés também chamaram a atenção do Tomás, por causa da história dos três porquinhos que ele tanto gosta.

A casa, que pertenceu à família Errazuriz Alvear, foi construída no início do século passado e dá uma amostra do que foi Buenos Aires naquele tempo. Hoje, abriga uma grande coleção de móveis antigos, objetos de decoração e obras de arte. Vale a pena conhecer, principalmente, quem gosta de arquitetura e decoração.






quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um coração partido e mais um ciclo que se fecha

Hoje foi o último dia de aula do Tomás e amanhã será a festinha de encerramento. Eu já chorei na última reunião, na despedida das “maestras” e dos amiguinhos e amanhã vou derramar mais algumas lágrimas de emoção. Não tenho a menor vergonha de assumir que junto com o Tomás nasceu uma mãe e uma chorona.

Nestes últimos dias, eu vou revivendo alguns momentos, tentando guardar outros na memória e tentando prolongar outros ao máximo. O tempo passa muito rápido e, com filho pequeno e tantas mudanças de cidade e país, isso fica ainda mais claro. Os meus três últimos anos foram doces, doces... E é por isso, que o fim da escola mexe tanto comigo.

Não é só porque a gente vai embora da Argentina, vai começar outra vez em outra cidade, nem porque eu gostava tanto da escola. Mas porque é o fim de um ciclo e de um período muito gostoso da vida do meu filho. Quando chegamos aqui, ele era um bebê e agora já é quase um menino grande, como ele gosta de dizer.

Lembro da primeira vez que o deixei na escola. Ele ficou chorando. Tudo tão diferente das creches que estamos acostumados no Brasil, com outros hábitos e outra língua. Mas o deixei, mesmo me achando meio maluca. E hoje vejo que foi a melhor coisa que fiz.

Foram tantos lindos momentos. De levá-lo e buscá-lo, conversando e cantando pelo caminho, ouvindo as primeiras palavras em espanhol, depois as duas línguas cada vez mais misturadas e separadas. De festinhas, de passeios na praça depois da aula. De casas de amigos e amigos em casa.   

Tantas canções em espanhol que nunca aprendi a cantar direito, um “auto de papá” e “um chino capuchino”. Fizemos brigadeiro na escola e levamos pão de queijo. Aprendi que um pentagrama é “uma coisa de clave de sol”, que uma antologia “é um livros com cuentos e poesias” e que a Frida Khalo fazia auto-retrato.  

E um dia o Tomás chegou falando de um Gugaglim. Perguntei quem era e descobri que é um senhor que fez uma pintura chamado o beijo. Eu adoro Gustav Klimt e fiquei encantada. Uma escola que ensina Gustav Klimt e Frida Khalo é mesmo pra me fazer chorar.

Então aguenta coração, porque amanhã tem mais emoções. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Museu argentino é dedicado ao fantoche

Em Buenos Aires, tem museus pra todos os gostos. Desde os mais convencionais de arte a museus modernos e interativos, além de muitos temáticos - dedicados por exemplo ao cinema, à literatura, arquitetura, tango, futebol.

Há alguns dias, visitamos um que ainda não conhecíamos. O Museu Argentino del Títere ou do fantoche. O lugar é bem interessante, com mais de 600 fantoches de diferentes épocas e países do mundo. Nos fins de semana, também oferece apresentação de fantoches.

Assistimos a história de um pirata que chega para roubar as riquezas dos índios. Ao contrário do que aconteceu na vida real, a história tem um final feliz e os índios são os vencedores.

A apresentação me trouxe boas lembranças da minha infância. No Ceará, há (ou pelo menos havia) uma forte cultura de teatro de fantoches. Por isso, tem até uma expressão muito popular (usada com os mais variados sentidos) que é "botar boneco".

Eu não diria que vale a pena se deslocar de outra parte da cidade só para visitar o museu, pois, apesar de ser interessante, é pequeno. Mas fica bem perto da Feira de Antiguidades de San Telmo, parada quase obrigatória de quem visita Buenos Aires. Então, por que não dar uma passada ali depois da feira?Principalmente, pra quem admira a arte ou viaja com criança.

A entrada é gratuita, o ingresso só é cobrado para as apresentações.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Buenos Aires amplia circuito cultural


Por Marina Mota | Para o Valor, de Buenos Aires
Divulgação / Divulgação
Aberto em 2012 em Puerto Madero, o Museu do Humor é resultado da reivindicação de mais de uma década de artistas gráficos e cartunistas locais
No tradicional bairro de San Telmo, um dos mais antigos de Buenos Aires, na Argentina, e conhecido pelas vendas de antiguidades e casas de tango, um moderno prédio espelhado contrasta com a arquitetura. Lá funciona, desde setembro, o Museu de Arte Contemporânea de Buenos Aires (Macba).
O novo espaço cultural é mais um investimento privado nas artes, seguindo o exemplo do mais antigo e conhecido Museu de Arte Latino Americana (Malba), do empresário do mercado financeiro e imobiliário Eduardo Constantini, e de iniciativas recentes como a Coleção de Arte Amalia Lacroze de Fortabat e o Faena Arts Center.
O Macba possui coleção com ênfase na arte abstrata geométrica. O acervo foi iniciado nos anos 1980 pelo consultor do mercado financeiro Aldo Rubino, reunindo obras de artistas como o venezuelano Carlos Cruz-Diez, os argentinos Enio Iommi, Gyula Kosice e Raúl Lozza (1911-2008) e os brasileiros Lothar Charoux (1912-1987), Almir da Silva Mavignier e João José Costa da Silva.
A curadora do museu e mulher de Rubino, Constanza Cerullo, não revela o valor gasto na obra de construção do prédio nem na aquisição das obras, mas afirma que existe uma demanda para justificar esse tipo de investimento. "Buenos Aires sempre foi um polo artístico importante. O público é bastante receptivo a atividades do setor cultural", diz.
Em apenas quatro meses, o Macba recebeu 15 mil visitantes. No ano passado, mais de 5 milhões de pessoas visitaram os museus de todo o país, segundo levantamento divulgado pela agência de notícias do governo argentino, a Télam. O recordista é o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), de entrada gratuita, com 1,4 milhão de visitantes.
O Macba destaca a arte abstrata geométrica
O Malba recebeu mais de 340 mil pessoas e, de acordo com o Observatório de Turismo da Cidade de Buenos Aires, é o segundo mais visitado por estrangeiros, atrás apenas do Museu Evita. Inaugurado em 2001, atrai especialmente a curiosidade dos brasileiros por guardar um tesouro: o "Abaporu", de Tarsila do Amaral (1886-1973), comprado por US$ 1,5 milhão em 1995.
Embora ainda menos conhecidos, a Coleção Fortabat e o Faena Arts Center têm pelo menos um ponto forte para se consolidarem no roteiro dos estrangeiros: a localização em Puerto Madero.
O bairro é uma antiga região portuária que se converteu na maior aposta imobiliária da cidade e tem grande apelo turístico. O primeiro abriu as portas em 2008 para exibir a coleção particular da empresária Amalia de Fortabat, que morreu no ano passado. Já o Faena, inaugurado em 2011 num moinho centenário, é um espaço para grandes instalações, como o crochê suspenso do brasileiro Ernesto Neto, exposto no ano passado.
O setor público também investe em novos espaços culturais. Do governo federal, um dos destaques é o Museu do Livro e da Língua, na Recoleta, que, embora menor, tem aspectos em comum com o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, como interatividade e acervo virtual.
"Visitamos o museu brasileiro e vimos que nosso orçamento era muito menor. Mas nos alegra quando os brasileiros chegam aqui e dizem que há semelhança entre os dois", diz Cecília Calandria, assessora cultural da Biblioteca Nacional, à qual o museu é vinculado. O custo do espaço, que mostra a história da língua escrita e falada na Argentina, foi de 12 milhões de pesos em 2011, cerca de R$ 5 milhões.
Em maiores proporções são as cifras da Prefeitura de Buenos Aires, que tem à frente Maurício Macri, um dos principais opositores da presidente Cristina Kirchner. Um exemplo foi o investimento de mais de 110 milhões de pesos, ou cerca de R$ 50 milhões, para transformar uma usina elétrica do início do século passado, na Boca, em uma casa de espetáculos para até 1.200 pessoas na sala de concertos e 400 na destinada a orquestras de câmara.
A Usina das Artes abriu as portas em maio. Para o vice-diretor do espaço, Gustavo Mozzi, a qualidade acústica é um destaque. "Temos a melhor acústica depois do Teatro Colón", diz.
Ao lado da Usina, foi reinaugurado, numa nova sede em 2011, o Museu do Cinema Pablo Ducrós Hicken, depois de ficar fechado por sete anos. "Já veio gente do México, do Uruguai para conhecer e levar o modelo a outros países", diz a diretora Paula Didier sobre o espaço, destinado exclusivamente à memória do cinema numa configuração de museu.
Divulgação
A Usina das Artes recebe orquestras e concertos
O acervo tem raridades como uma das nove câmeras dos irmãos Lumiére existentes no mundo e uma cópia com trechos inéditos de "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang, além de figurinos, croquis, roteiros originais e mais de 60 mil latas de filmes, principalmente do cinema argentino.
Outra novidade do circuito cultural portenho é o Museu do Humor, instalado no prédio da cervejaria Munich, dos anos 1920, em Puerto Madero. O lugar abriu as portas no ano passado para contar a história da arte gráfica argentina desde o século XIX.
O país tem tradição na área, com nomes de sucesso mundial, como o cartunista Quino e a sua mais famosa criação, Mafalda. Segundo o diretor do espaço, Hugo Maradei, a inauguração do museu é resultado de uma reivindicação de mais de uma década de artistas gráficos e cartunistas locais.
O circuito turístico do humor se completa com o recém-lançado Paseo de la Historieta. A ideia é instalar até o final deste ano estátuas de 15 personagens, a partir da Mafalda, que ocupa uma esquina de San Telmo desde 2009, seguindo pelas ruas do bairro de Montserrat até chegar ao museu. "Para transformar os desenhos 2D em monumentos 3D contamos com a ajuda dos próprios cartunistas", afirma Maradei.
A maioria dos investimentos se concentra na zona sul da cidade, área mais pobre (com exceção de Puerto Madero) do que a zona norte, onde estão bairros como Palermo e Recoleta. Uma lei municipal, aprovada em dezembro, transforma parte da região em Distrito das Artes e prevê incentivos, como isenção de impostos sobre faturamento por dez anos, descontos de impostos que vão de 25% a 35% do valor dos investimentos, além de possibilidade de linha de crédito do banco municipal.
"É uma região que convoca artistas naturalmente e, transformada em corredor cultural, vai se desenvolver da melhor forma possível", diz Mozzi.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para os amantes da fotografia

Quem adora fotografia como eu não podia estar em lugar melhor nos próximos dias que em Buenos Aires. Não apenas porque a cidade é inspiradora e dá mesmo vontade de sair clicando por toda parte, mas também porque amanhã (26) começa o oitavo Buenos Aires Photo, maior festival de fotografia da América Latina, no Centro Cultural Recoleta.

A mostra vai expor fotos de mais de 30 galerias da Argentina, Peru, Uruguai, Espanha, Bolívia e Estados Unidos. Os organizadores prometem os mais variados estilos e tendência da fotografia contemporânea.

O destaque deste ano é o fotógrafo catalão Joan Fontcuberta que vai ter uma sala exclusiva para a exibição de seus trabalhos mais famosos e ainda fazer uma palestra para o público.

Fotografias inspiradas em temas atuais como sustentabilidade e cultura pop vão dividir espaço com obras do passado de nomes como Annemarie Heinrich, Grete Stern e Horacio Coppola. Pena que dura pouco, só até  segunda-feira (29).

A obra de Coppola pode ser conferida também até 10 de novembro na galeria Jorge Mara, pertinho da livraria Ateneo. São 84 fotos de um dos mais famosos fotógrafos argentinos, que morreu em junho com 105 anos.

E já que falei lá em cima que Buenos Aires é mesmo inspiradora, vale dizer que a mostra é centrada especialmente em registros de espaços urbanos também do Rio de Janeiro e de cidades européias (todas inspiradoras, diga-se). O uso das sombras e da profundidade das fotos chama a atenção na obra.

Não à toa, afinal Coppola teve uma longa vida, ele é considerado o fotógrafo que registrou quase um século de história da capital portenha. Muitas das imagens diferem do cenário atual apenas pelos carros, roupas, publicidade. Ou seja, a memória aqui parece mais preservada.

Virando a esquina, logo na saída da exposição, nos deparamos um prédio demolido para construir outro no lugar, mas com a fachada intacta. Talvez não seja mera coincidência.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Teatrinho para bebê ou danza a upa

Upa é o mesmo que dar braço ou colo. O Tomás, que mistura muito os dois idiomas, às vezes pede do nosso jeito e em outras à moda argentina. Eu acho lindo quando ele diz: mamãe, quero upa (assim mesmo, em português e espanhol ao mesmo tempo).

E Danza a Upa é um espetáculo de teatro concebido para bebês de oito meses a três anos. É curto, só dura meia-hora e tem muita cor e movimento. Eu achei que o Tomás ia ficar meio inquieto e ficou mesmo, mas só até a peça começar. Aí, assistiu quietinho e boquiaberto.

O local da apresentação chama Teatro del Angel (achei lindo o nome). No site deles, diz que é o primeiro teatro para bebês da Argentina (não sei se tem um lugar assim no Brasil, mas deveria). As arquibancadas são baixas para que os pequenos possam subir e descer e tem colchonetes espalhados pelo chão. Ou seja, seguro até para os mais levados como o meu filho.

Fomos conhecer este teatrinho no dias das crianças argentino, em agosto. Amanhã, é dia das crianças no Brasil e eu espero comemorar com o Tomás da mesma forma, com um passeio legal, carinho e atenção. Quem sabe um pique-nique, um cinema ou outro teatrinho? Ainda não escolhi o passeio, mas programação cultural e infantil por aqui é o que não falta.

O que certamente não vai ter no dia das crianças dele (na data brasileira ou na argentina) é presente caro. Não sou a favor de estimular o consumismo e na minha vida atual, nem tem espaço pra isso. Daqui um ano ou dois, vamos embora e quanto menos coisa pra levar, melhor.

Sempre estraguei os afilhados e filhos de amigos, então, deixo esta missão para os avós e tios do Tomás. De mim, ele recebe educação, atenção, muito amor e carinho. Ah, e upa também.

A gente brinca, cozinha e cuida das plantas juntos, faz acampamento na sala de casa, dança, canta, vai ao cinema, ao teatro, ao parquinho. Já transformamos uma caixa de ar-condicionado em teatro de fantoche, fizemos bonecos com rolos de papel higiênico, boliche com garrafa de água e pintamos (ou melhor, sujamos) a casa de tinta várias vezes. E quer saber? Acho que é mais divertido assim.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sorria, você está em Buenos Aires

Tomás com a Mafalda

Até quem não é fã de quadrinhos, pelo menos, já ouviu falar no argentino Quino – mais famoso cartunista do país – e na sua Mafalda – a menina contestadora e preocupada com a paz mundial, que nasceu nos anos 1960 e ganhou notoriedade em todo o mundo.

Os turistas que visitam Buenos Aires fazem fila para tirar fotos com a estátua da pequena notável na esquina das ruas Defensa e Chile, no bairro de San Telmo.

Mas agora Mafalda não está mais sozinha. Ganhou a companhia da escultura de outro personagem, o playboy argentino Isidoro Cañones, criado por Dante Quinterno.

Nos próximos meses, outros personagens, como Larguirucho, de M. García Ferré, e Clemente, de Caloi, também vão ganhar “corpo” nas ruas da capital portenha formando o Paseo de la Historieta. A última estátua do Paseo vai ser do personagem atual e campeão de vendas de livros, Gaturro, do cartunista Nik.

O novo circuito turístico vai ter seis quarteirões, saindo da estátua da Mafalda e seguindo em direção a Puerto Madeo, onde foi lançado recentemente o Museu do Humor gráfico argentino. A ideia é atrair os curiosos até o Museu, que foi inaugurado no prédio (lindo!) de uma antiga cervejaria, La Munich.

Achei o lugar mal cuidado, principalmente, por ter sido inaugurado há tão pouco tempo. Mas vale a visita, até porque fica no Puerto Madero entre o canal onde estão os restaurantes (parada certa dos visitantes) e o Parque da Costanera Sur (pouco conhecido dos turistas, mas adorado pelos portenhos).

No Museu, dá para conhecer um pouco da história do humor gráfico argentinos desde o século XIX até os dias de hoje. Pra mim, ficou faltando a Maitena e suas “mulheres alteradas”, talvez por uma questão de mera identificação.

Pra quem vier por aqui, fica a dica: conhecer um pouco da tradição humorística argentina e sorrir. Aliás (sou suspeita pra falar, porque adoro a cidade), estar em Buenos Aires já é um bom motivo para sorrir.
Fachada do Museu do Humor

sábado, 21 de julho de 2012

60 anos de morte de Evita Perón

Na próxima quinta-feira (26), é o sexagésimo aniversário de morte de Eva Perón. Tantos anos depois, a presença deste ícone nacional é marcante na vida e na política argentina.

Aqui, a matéria que escrevi para o Valor Econômico.