Na próxima quinta-feira (26), é o sexagésimo aniversário de morte de Eva Perón. Tantos anos depois, a presença deste ícone nacional é marcante na vida e na política argentina.
Aqui, a matéria que escrevi para o Valor Econômico.
Em Buenos Aires
sábado, 21 de julho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Buenos Aires sem gasolina
Na semana passada, não tinha dinheiro nos caixas eletrônicos em Buenos Aires. Desde ontem, falta gasolina. Panelaço de madame de Palermo e Recoleta chama a atenção, rende belas imagens, mas quem tem força pra parar um país é protesto de trabalhador.
O Sindicato dos Caminhoneiros também ameaça cortar a distribuição de alimentos, a coleta de lixo, os correios e colocar 100 mil pessoas e 10 mil caminhões na Praça de Maio. Na noite de ontem, os trabalhadores fecharam a saída da refinaria da YPF pra impedir a saída de caminhões. No embate, o governo mandou a polícia e conseguiu que oito caminhões saíssem com combustível, mas os sindicalistas deram o troco fechando os portões com o lixo coletado na cidade.
A reivindicação é por aumento salarial, claro, por correção da tabela do imposto de renda e por inclusão nos programas sociais do governo. Mas é também uma quebra de braço entre o presidente da central dos trabalhadores, Hugo Moyano, e a presidente Cristina Kirchner.
O sindicalista, que já foi aliado incondicional do kirchnerismo, andou perdendo espaço na relação com o governo e corre o risco de perder a eleição para a presidência da central. Para demonstrar força, colocou o time dele (que são os caminhoneiros) em campo. A presidente antecipou a volta da Rio +20.
Os jornais estão comparando o embate com um divórcio e, ao que parece, em que os dois lados sairão perdendo. Como o inverno começou nesta madrugada, junto com o paro dos caminhoneiros, o César lembrou nesta manhã da famosa citação de Shakespeare na peça Ricardo III: "o inverno do descontentamento."
O Sindicato dos Caminhoneiros também ameaça cortar a distribuição de alimentos, a coleta de lixo, os correios e colocar 100 mil pessoas e 10 mil caminhões na Praça de Maio. Na noite de ontem, os trabalhadores fecharam a saída da refinaria da YPF pra impedir a saída de caminhões. No embate, o governo mandou a polícia e conseguiu que oito caminhões saíssem com combustível, mas os sindicalistas deram o troco fechando os portões com o lixo coletado na cidade.
A reivindicação é por aumento salarial, claro, por correção da tabela do imposto de renda e por inclusão nos programas sociais do governo. Mas é também uma quebra de braço entre o presidente da central dos trabalhadores, Hugo Moyano, e a presidente Cristina Kirchner.
O sindicalista, que já foi aliado incondicional do kirchnerismo, andou perdendo espaço na relação com o governo e corre o risco de perder a eleição para a presidência da central. Para demonstrar força, colocou o time dele (que são os caminhoneiros) em campo. A presidente antecipou a volta da Rio +20.
Os jornais estão comparando o embate com um divórcio e, ao que parece, em que os dois lados sairão perdendo. Como o inverno começou nesta madrugada, junto com o paro dos caminhoneiros, o César lembrou nesta manhã da famosa citação de Shakespeare na peça Ricardo III: "o inverno do descontentamento."
Foto do site iprofesional.com
sábado, 16 de junho de 2012
Vinícius nasceu!
Meu primeiro sobrinho e o primeiro primo do Tomás. Agora sim, já podemos ir pra casa da vovó. Quando alguém perguntava ao Tomás quando ele iria pra casa da vovó, a resposta era "quando o Ícius nascer".
O Vinícius nasceu hoje, às 13h50, com 50 cm e 3,16 kg. Já estamos loucos pra conhecê-lo.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
O primeiro panelaço a gente nunca esquece
Há muitos anos, eu morava nos Estados Unidos e fiz um
trabalho sobre a crise argentina de 2001. Fiquei dias assistindo fitas e
selecionando imagens para uma matéria. Aquelas cenas dos panelaços nunca saíram
da minha cabeça. Ficaram como a maior marca do corrallito argentino.
A vida deu muitas voltas e eu acabei vindo morar em Buenos
Aires. Cheguei num momento de certa calmaria. O país, dez anos depois da crise,
tinha taxas históricas de crescimento. Inflação alta, com índices manipulados
pelo governo, mas com consumo também em alta. Ou seja, se a renda acompanha a
inflação, não incomoda tanto. E a prova de que tudo ia bem foi a votação também
histórica da presidente Cristina Kirchner, com mais de 54% dos votos.
Na época da campanha, os analistas falavam muito que
Cristina representava um certo “frescor” em relação ao marido e antecessor
Nestor Kirchner, criticado por medidas autoritárias. E apostavam num segundo
mandato mais alinhado com o mercado financeiro. O que aconteceu foi exatamente o
contrário. O segundo governo de Cristina aposta no nacionalismo e está cada vez
mais fechado.
A economia começa a não ir tão bem. Claro, que os fatores
externos não ajudam. Mas medidas de restrição às importações e à compra de
dólares começam a incomodar os argentinos. Diga-se, os argentinos de classe
média.
Eu, que nem sou argentina, estou ampliando meus
conhecimentos de macroeconomia. Não só porque escrevo sobre o assunto de vez em
quando, mas porque inflação e câmbio nos afetam diretamente. Aprendi a me
preocupar diariamente com a variação do dólar no Brasil e na Argentina. E também
estou me aprimorando em economia doméstica para lidar com os aumentos dos
preços e com a falta de alguns produtos no supermercado.
Ontem, presenciei meu primeiro panelaço ou cacerolazo
argentino. Voltava do shopping com o Tomás e as pessoas nas ruas batiam
panelas, palmas, buzinavam. Fiquei uns
dois minutos em dúvida sobre o que seria. Se comemoravam a vitória de algum
time ou se o semáfaro estava com defeito. Mas logo tive certeza de que
tratava-se de um protesto. Perguntei ao porteiro do meu prédio e ele respondeu:
“es la revolucion”.
O panelaço foi
organizado pelas redes sociais e aconteceu na área mais nobre de Buenos Aires,
em Palermo, Recoleta e Belgrano – exatamente os únicos bairros da capital onde
Cristina perdeu nas eleições. Difícil, portanto, afirmar que há um clima de
insatisfação geral. Os manifestantes reclamavam da insegurança, problemas
econômicos e restrição à compra de dólares. Este último parece ser o principal
motivo.
Aqui, é comum economizar em dólares, guardando o dinheiro em
casa mesmo, comprar e alugar imóveis em dólar. O governo ao restringir a compra
fez a moeda estrangeira disparar no mercado negro ou “blue”, como chamam aqui. Já
ouvi mais de uma vez na rua, “estamos virando a Venezuela”.
Se é verdade ou não, só o tempo dirá. E, provavelmente,
outros panelaços virão. O certo é que eu não vou esquecer meu primeiro
cacerolazo argentino.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Legislação argentina na vanguarda
O projeto de um novo código civil está tramitando no Congresso Argentino, prevendo, por exemplo, normas para barriga de aluguel e contratos matrimoniais. A legislação tenta se adequar às mudanças tecnológicas e de modos de vida num mundo que muda cada vez mais rápido. E a Argentina tem estado na vanguarda na aprovaçäo de leis, principalmente, relacionadas aos direitos individuais e de minorias.
Na semana passada, o Congresso argentino aprovou duas leis nesse sentido. A primeira – menos polêmica – é a da morte digna. Menos polêmica, porque até os religiosos mais fervorosos (pelo menos, os católicos) encontram amparo numa encíclica do papa João Paulo II contra o prolongamento artificial da vida. É sabido que o próprio papa se negou a receber tal tipo de tratamento.
A segunda – esta sim mais polêmica e divisora de opiniões – é da identidade de gênero. A partir de agora, a mudança de nome e sexo em todos os documentos, inclusive certidão de nascimento, é garantida gratuitamente e sem autorização judicial. A permissão vale inclusive para menores de idade, desde que tenham aprovação dos pais ou, no caso de negativa destes, por vias judiciais. A lei também obriga os planos de saúde a realizar cirurgias de mudança de sexo.
A Argentina é o segundo país da América Latina, depois apenas da Colômbia, a legislar sobre o assunto. No resto do mundo, outros exemplos são da Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Suiça e Inglaterra. No Brasil, as cirurgias são feitas pelo SUS, mas a mudança de documentos ainda requer a autorização judicial.
O casamento igualitário é outra garantia legal na Argentina desde 2010, apenas nove anos depois da pioneira Holanda. O prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, até aproveitou para criar um novo nicho no mercado turístico da capital portenha. O processo foi desburocratizado para permitir que um casal oficialize a união em apenas cinco dias.
No Brasil, o direito à união homoafetiva foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no ano passado, mas não existe lei que trate do assunto. O presidente americano Barack Obama, recentemente, se declarou favorável ao casamento igualitário. Lá, apenas sete estados garantem o casamento igualitário.
O curioso é a legislação argentina ter avançado tanto em tão pouco tempo. Para se ter uma ideia, a lei do divórcio só foi aprovada em 1987, dez anos depois da brasileira e sob fortes protestos dos estratos mais conservadores. Apenas 25 anos depois, o cenário é outro.
A Argentina também vence o Brasil de goleada quando se trata de direitos humanos. Enquanto, só agora a gente tem uma comissão da verdade, os argentinos já julgaram e prenderam centenas de pessoas que cometeram crimes durante a última a ditadura militar de 1976 a 1983.
terça-feira, 15 de maio de 2012
A constante transformação do tango
Matéria minha sobre tango eletrônico no Valor.
http://www.valor.com.br/cultura/2658682/constante-transformacao-do-tango
http://www.valor.com.br/cultura/2658682/constante-transformacao-do-tango
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Querem trocar Madonna por Fito Paez e Charly Garcia
O título é só uma brincadeira pra falar de uma nota do El Cronista de hoje que chamou minha atenção. Mesmo tarde, não podia deixar de comentar. O jornal diz que os organizadores dos show de Madonna na Argentina - previstos para dezembro deste ano - estariam com dificuldade para enviar parte do cachê da artista, já que atualmente o país restringe a saída de dólares.
Segundo a nota, o secretário de Comércio Guillermo Moreno, responsável por liberar a saída dos dólares, foi procurado para resolver o imbróglio. Ele teria sugerido como contrapartida a realização de shows dos argentinos Fito Paez e Charly Garcia no exterior, para garantir que o dinheiro enviado voltaria ao país.
A proposta parece estranhíssima, mas tem tudo a ver com a medida de uno por uno, uma das bases de sustentação da política econômica argentina. Aqui, quem quer importar tem que exportar também. Ou seja, tem que ser um a um. Pra vender carrinho chicco ou boneca barbie na Argentina precisa exportar azeite ou vinho, por exemplo.
Ao que tudo indica e de acordo com o jornal, que é crítico ao governo, o problema já foi resolvido e os fãs podem ficar tranquilos. Não precisa chorar por ela, Argentina.
Segundo a nota, o secretário de Comércio Guillermo Moreno, responsável por liberar a saída dos dólares, foi procurado para resolver o imbróglio. Ele teria sugerido como contrapartida a realização de shows dos argentinos Fito Paez e Charly Garcia no exterior, para garantir que o dinheiro enviado voltaria ao país.
A proposta parece estranhíssima, mas tem tudo a ver com a medida de uno por uno, uma das bases de sustentação da política econômica argentina. Aqui, quem quer importar tem que exportar também. Ou seja, tem que ser um a um. Pra vender carrinho chicco ou boneca barbie na Argentina precisa exportar azeite ou vinho, por exemplo.
Ao que tudo indica e de acordo com o jornal, que é crítico ao governo, o problema já foi resolvido e os fãs podem ficar tranquilos. Não precisa chorar por ela, Argentina.
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