Em Buenos Aires

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vamos a la playa


Confesso que não esperava muito, mas também não sou dessas pessoas que não mudam de ideia. Então, admito que o literal argentino tem lá os seus encantos.

O roteiro da Semana Santa foi escolhido meio por acaso. Deixamos pra última hora e quase todos os destinos já estavam lotados. Tinha vaga num hotel em Cariló e decidimos ir pra lá.

O César - que adora e lê tudo sobre turismo - já tinha ouvido falar do lugar. Pinamar é a praia dos bacanas da Argentina. No verão uma carpa (ou um lugar ao sol numa barraca de praia) pode custar até 10 mil pesos, que equivale a quase 5 mil reais. Cariló é um bairro de Pinamar, mais bacana ainda, com mansões em estilo americano construídas dentro de um bosque de pinheiros. Só o bosque já vale a visita.

A areia é escura e o mar não é verde como o nosso. Os costumes também são diferentes. A onda aqui é jogar rugby e tomar mate (quente, como chimarrão) na praia. A cidade tem boa infraestrutura, organização, bons restaurantes e comércio que não deixa a desejar em nada.

E praia é praia. Nada como pisar na areia e ver o mar. Até o frio do outono foi solidário e nos deu um belo dia de sol, no sábado, pra ficar sem agasalho.


sábado, 24 de março de 2012

O bar de las Madres

El Revolucionário é o nome do bar que vai ser aberto, logo mais, na sede das Mães da Praça de Maio. A inauguração é apenas uma das atividades para marcar a passagem dos 36 anos do úlimo golpe militar.

A proposta do bar é ser um espaço para encontro político dos jovens, uma forma de fomentar a militância, segundo disseram os idealizadores aos jornais argentinos.

Mas o bar das Mães não é o único temático de Buenos Aires, muito menos o único cujo tema é a política e, digamos assim, a política alinhada ao peronismo. El general, Un café com Perón e Perón Perón são outros exemplo.

O idealizador do Revolucionário é exatamente o proprietário do Perón Perón, bar com direito à altar para "Santa Evita" e o favorito da juventude alinhada ao kirchnerismo. É frequentado inclusive pela filha de Nestor e Cristina, Florencia Kirchner.

Espero conferir em breve e conto pra vocês como é o "novo point", mas pelo que li não faltarão fotos do Che, da atual presidente e do marido, além, claro, dos lenços brancos símbolo das Mães.

Deixo aqui algumas fotos do Perón Perón. Peronismo a parte, é legal e tem boas opções de petiscos.

terça-feira, 20 de março de 2012

Primárias nos Estados Unidos


Mais uma primária republicana está sendo disputada hoje. Desta vez, no estado de Ilinois – berço político do presidente Obama.

O ex-governador do Massachussetts, Mitt Romney, é o favorito para levar os votos dos delegados do estado e também o primeiro na disputa até agora. Mas a definição do adversário de Obama ainda pode demorar.

Nos Estados Unidos, a disputa por votos começa muito antes das eleições. A primeira etapa do processo eleitoral são exatamente as primárias, realizadas nos cinqüenta estados de janeiro a junho para que os partidos escolham os candidatos. É isso mesmo, o aspirante a presidente precisa ser eleito candidato.

A disputa nos partidos costuma ser quase tão acirrada quanto a própria eleição e sai vitorioso aquele que consegue obter o maior número de delegados – também escolhidos em primárias propriamente ditas ou nos caucus (prévias), que são reuniões de eleitores por distritos eleitorais para eleger delegados para as convenções dos condados, que por sua vez elegerão os delegados para as convenções estaduais, de onde sairão os delegados nacionais para as Convenções Nacionais dos partidos.

O processo de indicação dos candidatos pode variar de estado para estado para estado. Os tipos mais frequentes são as primárias fechadas – nas quais os eleitores só votam nos pré-candidatos do partido em que são registrados –, e as primárias abertas - em que os eleitores podem participar da escolha de qualquer partido. É possível ainda a realização de primárias em que os eleitores possam votar em candidatos dos dois partidos, mas essas são bastante raras.

As primárias são iniciadas pelos estados de Iowa e New Hampshire, que, apesar de pequenos, possuem leis para garantir primazia no processo. Mas o ponto alto costuma acontecer entre fevereiro e março. Neste período é realizada a "Super Terça-Feira", com primárias em diversos estados e que pode ser decisiva. Neste ano, foi no último dia 6.

Além dos delegados convencionais, escolhidos nas prévias e nas primárias, existem ainda os chamados superdelegados, que geralmente têm assento assegurado pela posição que ocupam no partido ou em função de cargo eletivo. Ou seja, o processo é complexo.

Em 2008, os republicanos definiram a candidatura de John McCain ainda em fevereiro, logo após a “Super Terça”. Já Obama e Hillary Clinton disputaram a preferência dos democratas voto a voto até o mês de junho.

Agora, ocorre o contrário. Com candidato democrata definido e republicano em aberto. Por isso, Obama segue líder nas pesquisas. Talvez, menos por mérito que pela ausência de adversário.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma biblioteca portenha só para niños


"Reina Batata" é um personagem da escritora e compositora argentina Maria Elena Walsh, que dedicou boa parte do seu trabalho às crianças. Na música da artista, a batata escapa de ir para a panela e acaba sendo salva pela caçula da casa.

Além de virar rainha, a batata foi ainda mais longe. Virou nome de uma biblioteca infantil em Buenos Aires. Uma homenagem à escritora - falecida em 1985 - e um presente para as crianças.

O lugar enche os olhos até de quem já é bem grandinho, então, imaginem do pequenos. O Tomás ficou encantado e só saiu na hora de fechar, reclamando. Em casa, a brincadeira preferida também é com livros.

O acervo da biblioteca é organizado por idade, de 0 a 13 anos. As crianças podem ler e se divertir no local ou levar os livros pra casa, como numa biblioteca para adultos.

E tem ainda uma bebeteca, isto mesmo, uma biblioteca para bebês, com tapete, cabana, livros com textura, tudo muito colorido, do jeito que eles gostam para incentivar o contato com os livros desde bem pequenos.

A biblioteca Reina Batata fica nas Barrancas de Belgrano, um lugar lindo e próximo ao Bairro Chino, que eu já andei falando um pouco por aqui.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quem disse que Buenos Aires não tem Carnaval?

Tem, mas nem parece. Falta animação. Falta gingado. E pior, falta cerveja. Isso mesmo, nos locais onde se realizam as murgas - apresentações populares "carnavalescas" argentinas - é proibido vender bebida alcóolica.

Existem mais de 100 murgas na cidade, de diversos bairros portenhos. Os participantes ensaiam o ano todo e começam a se apresentar antes mesmo do Carnaval. Mas o ápice (se é que se pode chamar assim) foi neste fim de semana.

Nós fomos num dos pontos de apresentação, no bairro de Almagro. Quando chegamos, a pergunta foi: que horas começa?? Pra nosso espanto, já havia começado.

Era a vez da murga Los Inevitables de Flores. Só havia um casal de cantores a la Jane e Herondy no meio do rua. Mas não demorou e veio o resto do "bloco". Mais parecia um desfile de 7 de setembro numa cidade do interior. Trajes simples, danças quase infantis. Não precisa dizer que também não toca samba.

Em alguns lugares do país, dizem, existe um Carnaval mais parecido com o nosso, como na província de Corrientes. Mas só indo lá pra conferir.

Na verdade, o país não tem uma tradição de Carnaval. O feriado foi proibido por mais de 30 anos desde o início da última ditadura e só voltou em 2010.

Eles não sabem fazer um Carnaval como o nosso, mas a gente também não sabe fazer tango como eles. Como já disse um grande poeta brasileiro, "cada um no seu quadrado".

O Tomás foi com a gente e ele sim adorou. Pra quem nunca viu um Carnaval de verdade, qualquer coisa com som e cor é, como ele diz, "naval". Por isso, eu admiro e às vezes até invejo a inocência das crianças.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Viajando com bebê II



Depois de toda a confusão de aeroporto, avião, embarque, desembarque, vocês chegaram. E agora?

Agora, você corre o risco de fazer uma mega programação que não tem nada a ver com criança e acabar se estressando e estressando a criança ou ficar praticamente trancada para poupar o bebê. Eu já fiz os dois. Mas a melhor opção é conseguir se divertir respeitando os limites do seu filho.

Dependendo da idade, a criança é mais ou menos tolerante a certos passeios. Por exemplo, bebês pequenos ficam super bem em restaurantes, mas os maiores são ótimos companheiros de atividades ao ar livre. Crianças são sempre cuiriosas, então, é fácil tornar um museu interessante. Mostre, aponte o que tem de novo e diferente.

É claro que viajando com um bebê é complicado sair pela manhã e só voltar a noite. Precisa dar uma parada, até mesmo para a mamãe descansar. Mas por outro lado, você tem que quebrar alguns paradigmas. Não dá pra viajar seguindo uma rotina rígida. Nós adultos também quebramos a nossa rotina quando viajamos, não é mesmo??

O bebê certamente sobreviverá (o meu, pelo menos, sobreviveu) se não comer três tipos de verduras, dois de legumes, dois de grãos, três porções de frutas e se não alternar carne vermelha e branca por alguns dias. A regra de ouro é simplificar. Iogurte, potinho, suco de frutas e biscoitos são muito mais práticos e fáceis de carregar. A soneca da tarde pode ser durante um passeio, no carrinho.

Só com uma coisa não dá pra descuidar: a higiene do bebê e dos utensílios. Principalmente, dos bebês com menos de um ano. Por isso, na hora de programar a viagem é melhor dar preferência a um flat, apart, apartamento de temporada. Mas se o único jeito for mesmo hotel ou pousada (já ficamos algumas vezes), peça ajuda aos funcionários para esterilizar mamadeiras na cozinha, fever água, etc Geralmente, eles também oferecem bercinho e cadeira de alimentação.

Viagem é sinônimo de diversão. Por isso, use a criatividade para superar a falta da estrutura que tem em casa. Um banho de chuveiro ou balde, por exemplo, pode se transformar numa grande farra. Um city tour pode muito bem ser feito com um carrinho. E já pensou se a sua mãe deixasse você almoçar danoninho, como você teria achado divertido?

Para não se estressar, é bom deixar um pouco de lado todos aqueles conselhos das avós, tias e pediatras (e dos blogs, inclusive, deste). Siga sua intuição de mãe que tudo dá certo. Afinal, como diz uma amiga minha, ser boa mãe é ter filho feliz.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Viajando com bebê

Outro dia encontrei uma amiga que ia viajar pela primeira vez com a filha e resolvi criar coragem para escrever um post que já vinha pensando há alguma tempo. Afinal, estamos na época de férias e se tem uma coisa em que eu adquiri experiência nos ultimos 18 meses da minha vida foi em viajar com bebê.

A primeira viagem do Tomás foi de carro, com 1 mês e meio para Tiradentes e depois Juiz de Fora. A segunda, com exatos dois meses para Fortaleza e depois São Paulo. E daí em diante foram várias, incluindo na lista também Rio e Brasília, até decidirmos nos aventurar em Buenos Aires.

O lado bom é que ele é super acostumado a viajar. E gosta. Quando digo que vamos pegar o avião, o Tomás aponta pro céu e diz "vuuuu" (é o barulho do avião, penso eu). E faz questão de carregar a própria mochila. Antes de virmos ao Brasil pra passar o fim do ano, ele resolveu me ajudar a arrumar a mala. Colocou o sapato preferido e o xampu numa sacola e me entregou. Vai entender...

O lado ruim desta história é que viajar com bebê dá trabalho, principalmente, sozinha, como fiz muitas vezes. A criança geralmente tira de letra, quem sofre mesmo é a mãe (pelo menos é o que eu acho, talvez, a opinião do Tomás seja diferente da minha). Mas o fato é que você precisa carregar um monte de coisa e o bebê, procurando ocupar o mínimo de espaço e incomodar o mínimo possível as outras pessoas. É mole?? Não. Por isso, vou tentar dividir um pouco da minha experiência e quem sabe ajudar algumas mães corajosas prestes a embarcar na empreitada que é viajar com bebê.

Começo pela parte aérea. Nesta fase da viagem o mais importante é conseguir carregar o mínimo de coisa possível, mas sem deixar faltar o necessário. Só com o tempo a gente consegue a medida certa. A melhor solução que encontrei foi levar uma mala pequena com rodinhas que acomode tudo pra não ter que sair carregando bolsas e sacolas.

O que não pode faltar: fraldas extras, muda de roupa, paninho de boca, cobertor e um brinquedinho. Quando o Tomás era menor, também levava trocador, depois fui aprendendo a trocar fralda das mais criativas formas possíveis.

Se a criança só mama é mais fácil, depois tem que carregar leite, mamadeiras, etc. Sempre é bom levar o leite naqueles potinhos próprios que ocupam pouco espaço e com uma medida a mais (o vôo pode atrasar ou até ser desviado para outro estado como já aconteceu comigo viajando com o Tomás). Garrafa térmica só entra no avião vazia, mas eu juro que nenhuma aeromoça ou funcionária de lanchonete de aeroporto nega um pouco de água quente para uma pobre mãe. E também em todo aeroporto você encontra um suquinho, iogurte ou pão de queijo pra não deixar a criança morrer de fome.

Na hora de decolar e de pousar principalmente, o bebê precisa de sucção (peito, chupeta, mamadeira de água) pra não sentir tanta dor no ouvido. Alguns peditaras passam remédio para dar um maior conforto se a criança estiver gripada ou tiver tendência a otites.

Carrinho pode ser um grande aliado ou um terrível inimigo. O problema é ter que tirar a criança e fechar o carrinho pra passar no Raio-X e se tiver que fazer um embarque ou desembarque remoto subindo e descendo de ônibus. Mas geralmente aparece alguém pra ajudar. Nas longas esperas é sempre útil.

No mais, é ter tranquilidade. Tentar deixar o bebê calmo e de preferência dormindo pra não se sentir incomodado nem incomodar os outros passageiros. Pra quem pretende se aventurar, boa sorte e coragem, mamãe. 

Chegando lá é assunto para um próximo post.