Em Buenos Aires

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Oriente é aqui

Finalmente, fomos ao bairro chino. Vários amigos do Brasil viram a matéria da Delis Ortiz na TV Globo e escreviam dizendo que devíamos ir lá. Na verdade, fiquei com vontade de conhecer desde que li e guardei uma matéria que saiu há algumas semanas no La Nación. Mas foi depois de assistir a Um conto chino, último filme do Ricardo Darín, que a vontade aumentou.

O lugar parece um pedacinho do Oriente em Buenos Aires. Tem desde artesanato chinês (ou o que poderia ser algo próximo disso) a produtos made in china das nossas famosas lojas de 1,99. Os supermercados vendem comidas que nem imagino o que sejam, mas também mariscos frescos, grãos (nosso feijãozinho tão raro por aqui), farinha (sim, de mandioca) e, pasmem, suco maguari direto do Brasil.

Mas o que dá mesmo água na boca são os restaurantes. Muitos chineses, mas também de comida oriental, como uma filial do famoso parisiense Buddha, e ainda o primeiro tailandês da Argentina, o Lotus. Este último foi a nossa escolha para o almoço.

Além de lindo, o restaurante tem uma comida deliciosa, seguindo os princípios tailandeses de reunir todos os sabores - doce, picante, ácido, amargo e salgado - num mesmo prato. Até o Tomás experimentou uma ou outra coisa e gostou.


Tomás ensaiando comer de hashi

O bairro chino fica em Belgrano, onde também está a única região considerada montanhosa da cidade (quem já morou em Beagá fica se peguntando onde estão as ladeiras) e o museu de arte espanhola Enrique Larreta, que eu também já queria conhecer há algum tempo. A coleção é incrível, mais ainda, porque pertenceu a uma única pessoa. Vale a visita, afinal, Buenos Aires é muito, mas muito mais mesmo, que Recoleta e Florida.

Ah, ia esquecendo de dizer. O Tomás está cada dia mais acostumado a visitar museus, se comporta direitinho e até se diverte, observando as obras ou brincando no jardim, como fez no museu Larreta.        

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Era uma vez um bebê...

Quando saímos de Beagá e deixamos pra trás o quarto do Tomás e quase toda a parafernália de bebê, acho que, de certa forma, também decidimos deixar um bebê no Brasil e trazer um menino pra Buenos Aires. E, pelo visto, o Tomás está cumprindo o combinado.

Não sei se as crianças são assim mesmo, amadurecem da noite para o dia, ou se a nossa falta de superproteção e de zelo excessivo acabaram por forçar um amadurecimento mais precoce do Tomás. De qualquer forma, a minha maior preocupação sempre foi criar um filho forte e independete. Então, até aqui estamos indo bem.

A fase de adaptação às mudanças passou rápido e o Tomás parece curtir a vida nova tanto quanto a gente. Tem amigos na escola - já fica lá de meio-dia às 17h e no próximo ano vai ficar o dia todo- e é nosso companheirinho de todas as horas, de passeios no parque a visitas a museus (sim, ele adora ver exposições) e farras de carne e batata frita, com direito a sorvete de doce de leite de sobremesa.

Independente, quer fazer tudo sozinho, até comer. Toma banho de chuveiro. Escolhe o tênis que vai calçar e o DVD que quer assistir. Pede para mudar o canal da TV, para ver fotos dos avós e para falar com eles no computador. Não chora por quase nada. Organizado, ajuda a guardar os brinquedos. Quando troca a fralda, pega a suja e coloca no lixo. Se vê um sapato no meio da casa, vai correndo colocar no guarda-roupa.

Quase bilíngue. Quase porque ainda não fala tudo, mas entende tanto o português quanto o espanhol e obedece nas duas línguas. E mais que isso, compreende. Se explico que tal coisa não pode ser assim, ele aceita. Se digo que o papai viajou e só volta amanhã a noite, não pergunta por ele até que chegue a hora do retorno. E também já arrisca algumas palavrinhas na língua dos hermanos.

Além dos amiguinhos da escola, tem uma melhor amiga, a Lina - filha da minha ajudante peruana com um marroquino. Quando ela chega, é uma festa em casa. Os dois adoram a galinha pintadinha e são cúmplices nas travessuras.

Ontem, pela primeira vez, não tomou mamadeira de madrugada. Acho que era uma necessidade maior da minha parte que da dele. Eu dava enquanto ele dormia, porque o Tomás sempre comeu pouco e não ganhava muito peso. E confesso: era um momento muito nosso, quando eu ainda o sentia muito pequeno e desprotegido nos meus braços. Mas agora ele está comendo melhor e engordou quase um quilo nos últimos dois meses. Ou seja, é hora da mamãe ouvir os pediatras e ter coragem pra mudar o comportamneto. Se o Tomás amadurece, a mamãe também precisa amadurecer.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Um tesouro platino

Quem visitar Buenos Aires pode agora conhecer mais a fundo o espanhol falado e escrito pelos argentinos. O Museu do Livro e da Língua tem proposta semelhante ao nosso da língua portuguesa e acaba de ser inaugurado.

Se ainda faltava motivo pra vir à capital portenha, fica aí mais uma dica.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1062557

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Carrinho pra que te quero

Eu sou daquelas mães que carrega o filho pra quase todos os lugares (com exceção de inferninhos e baladas que vão até de manhã), mais por necessidade que por opção. Coisa de quem tem filho longe da família e sem babá.

Por isso, os carrinhos são grandes aliados. E viver a experiência de sair com alguém que de certa forma anda sobre rodas faz perceber o quanto a acessibilidae é importante.

Por todas as cidades brasileiras onde passei com o Tomás, empurrar o carrinho foi difícil. Umas mais, outras menos. As calçadas são ruins ou inexistentes e sem rebaixamento. Sempre imagino como deve ser a vida de quem precisa se deslocar numa cadeira de rodas.

Neste aspecto, Buenos Aires - ou pelo menos a parte de Buenos Aires que conheço - ganha das nossas cidades. As calçadas são largas e rebaixadas na entrada e na saída das faixas de pedreste. Com exceção de alguns restaurantes com escada na entrada, quase todos os lugares tem rampa de acesso. Ponto para os argentinos.

Talvez por isso, e também porque a cidade é cheia de espaços públicos, a gente vê carrinhos por todos os lados. Os bebês - alguns bem pequenos e outros que já quase não cabem mais nos carrinhos - são carregados pra cima e pra baixo. Às vezes em programas pra eles - porque aqui tem muita coisa pra criança -, em outras por necessidade do pais; nos supercados, bancos, farmácias, etc É comum nos depararmos com congestionamento de carrinhos.

A impressão que dá é que em Buenos Aires as pessoas vivem a cidade. Cidadãos de 0 a 100 anos circulam pelas ruas, com direito de ir e vir respeitado. Mais um ponto pra eles. Agora, o ponto a nosso favor é que aqui idosos e crianças não tem prioridade. Talvez a fila ficasse grande demais...

Tomás no primeiro domingo em Buenos Aires. Domingo frio 

Passeando em São Paulo

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A casa de Vitória Ocampo

Uma boa dica pra quem vem a Buenos Aires com um pouco mais de tempo ou já conhece a cidade e resolveu voltar (e desta vez quer sair do circuito Florida-Recoleta-Puerto Madero) é conhecer Villa Ocampo, em San Isidro, na grande Buenos Aires.

A mansão, sem estilo definido, foi projetada para ser uma casa de veraneio e fins de semana da família. Mas Vitória Ocampo acabaria transformando-a em resiência. Ali, a produtora cultural e editora da revista Sur viveu boa parte da vida.

Quando passou a morar em Villa Ocampo, Vitória já havia iniciado a revista e a editora Sur, dando espaço para nomes ainda pouco conhecidos e que se tornariam garndes mestres da literatura argentina, como Borges e Cotázar. Não precisa dizer que o local viu florescer grandes talentos das letras e artes argentinas.

O  jardim, o mobiliário, a biblioteca e o café de Villa Ocampo já valem a visita, mas o que encanta mesmo atmosfera. Já pensou passar uma tarde no mesmo ambiente onde estiveram Neruda, Ortega y Gasset e Indira Ghandi? E dar uma espiada num piano tocado por Stravinsky?

Os saraus na casa de Vitória reuniam a nata da intelectualidade mundial e continuam de certa forma vivos e guardados em Villo Ocampo, afinal esta foi a intenção da dona ao doar o imóvel para Unesco.


                                           Tomás no jardim de Villa Ocampo

Dá pra ir de ônibus ou de trem. Uma boa opção é o trem de la costa - como o próprio nome sugere vai pelas margens do Rio del Plata - saindo da estação Maipu, em Vicente Lopez, e descendo na estação de San Isidro, que tem restaurantes e lojinhas. De lá até Villa Ocampo são uns 15 quarteirões. Precisa ter disposição, é bom olhar o mapa antes pra não se perder e é melhor se não tiver que empurrar um carrinho de bebê.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ele já tem vida social

Neste fim de semana, não foi o Tomás que nos acompanhou em um programa com nossos amigos. Mas nós que fomos jantar na casa de uma amiguinha da escola dele.

A família é americana e veio passar o sabático do pai em Buenos Aires, para conhecer e aprender espanhol. Eles são da Califórnia e têm dois filhos, uma de quase dois (que é da classe do Tomás) e outro de quatro. Chegaram na mesma semana que eu e nossos filhos entraram na escola juntos.

Foi uma noite de intercâmbio cultural, muito inglês e espanhol, regado a um bom vinho argentino e acompanhado de um churrasco no estilo coreano. Ou seja, o Tomás não só tem uma vida social como proporciona encontros multiculturais.