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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um outro olhar

Eu costumo dar pelo menos uma olhada nos sites da Aljazeera principalmente e de outros veículos do mundo árabe para encontrar enfoques diferenciados sobre determinados assuntos.

Recentemente, li um artigo do Sami Moubayed, editor-chefe da Foward Magazine, da Síria, sobre o acordo entre o Brasil, a Turquia e o Irã.

O tema já está meio batido e agora deve sair um pouco da pauta, depois do ataque israelense à frota humanitária turca. De qualquer forma, vale a pena conhecer como a questão é tratada fora da nossa mídia ocidental.

Para o editor, o acordo é sim muito significante. Primeiro, porque reforça a influência de nações emergentes como o Brasil. Segundo, porque toda a discussão aconteceu independente dos Estados Unidos.

O artigo defende veementemente que os propósitos do enriquecimento do urânio pelo Irã são medicinais. E afirma que o problema do acordo ter sido mal visto foi, dentre outras coisas, a condução por um país latinoamericano, o que enfureceu o governo americano.

O sírio lembra um provérbio árabe para dizer que Brasil e Turquia queriam as uvas e não apenas brigar com o vigia. Ou seja, o principal foi alcançado.

Por fim, afirma que um país como o Irã, a décima sexta economia do mundo, não pode ser marginalizado por sanções. Os países centrais precisam ser fortes e capazes de enxergar a luz, conclui.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Celso Amorim e a Aljazeera

O Itamaraty endureceu o discurso ontem (3/3) com Hillary Clinton em relação à possibilidade de sanções ao Irã. Celso Amorim comparou a pressão americana contra o país à que antecedeu a invasão do Iraque em 2003.

Coincidentemente, li hoje no site da Aljazeera um artigo que acusa a mídia dos Estados Unidos de tratar a questão iraniana de forma semelhante à iraquiana.

Como costumamos ter maior acesso a essa abordagem ocidental, resolvi postar aqui alguns dos argumentos da agência árabe de notícias.

Segundo a Aljazeera, o Irã é cercado por potência nucleares, como Paquistão, Índia e Israel, mas apenas o programa persa está sendo questionado por autoridades e imprensa ocidentais.

A emissora argumenta também que o país é uma região relativamente pacífica do Oriente Médio, contrariando as alegações que colocam o Irã no centro do eixo do mal do terrorismo islâmico.

A forma como a mídia americana trata das eleições de junho, como fraudulentas, é comparada às acusações de que o Iraque possuiria armas de destruição em massa. Para a Aljazeera, o que motivou os protestos em Teerã foi o apoio da classe média urbana a Mousavi, enquanto os mais pobres deram votos a Ahmadinejad.

Por fim, o texto afirma que as mortes e destruições no Iraque deveriam ter ensinado uma dolorasa lição: acusar nações inimigas pode contribuir para um enorme sofrimento humano. E prega um tipo de jornalismo, como todos nós sabemos que deve ser: comprometido com os fatos, com justiça e objetividade.

Quem assina o artigo é o jornalista investigativo e escritor americano Robert Parry, ganhador do prêmio George Polk e autor de livros como Lost History: Contras, Cocaine, the Press & "Project Truth." (1999) e Secrecy & Privilege: Rise of the Bush Dynasty from Watergate to Iraq (2004).