Em Buenos Aires
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mulheres de coragem

Li a matéria do La Nacion e queria dividir com vocês. É sobre as repórteres que cobrem o conflito na Líbia. São jornalistas, mulheres, mães.. Todas com muita coragem.

http://www.lanacion.com.ar/1400454-mujeres-reporteras-en-primera-linea

terça-feira, 12 de abril de 2011

A violência da burca

A proibição da burca na França é um ato tão intolerante, pra não dizer violento, contra as mulheres quanto a obrigação do uso imposta por alguns países ou famílias. Mas diz-se muito pouco a respeito. É mais fácil aceitarmos a opressão para impor a nossa cultura ou o que consideramos civilização do que aceitar os costumes do outro.

A tradição do burca e do véu no Islã surgiu para proteger as mulheres, assim como a poligamia. Os árabes do tempo de Maomé viviam em tribos nômades e eram muito comum homens de comunidades rivais sequestrarem esposas.

Hoje, o costume se mantém por dois motivos: interpretação ao pé da letra do alcorão, sem o necessário entendimento que os tempos são outros e convicção religiosa.

As mulheres vítimas da opressão da burca, provavelmente, não serão mais livres na França. Talvez, seja proibidas de sair de casa. E aquelas que usam por opção serão privadas de um direito.

Um artigo do professor Timothy garton, publicado no Estadão domigo (10/4), cita um estudo realizado pelo projeto At Home in Europe da Open Society Foundations. Foram entrevistadas 32 mulheres que usam o véu para cobrir o rosto todo na França. "Todas, menos duas, são os primeiros membros de suas famílias a fazer isso, e quase todas insistem que o fazem por uma questão de livre escolha. Várias optaram por usá-lo contra a resistência inicial de maridos, pais e mães. (As famílias frequentemente temiam que elas provocassem hostilidade nas ruas, e com certa razão.)"

Tive uma professora de árabe, egípcia, que nunca usou burca, mas usa ou, pelo menos, usava véu. Segundo ela, para se sentir mais perto de Alá. E fazia questão de dizer que a mãe a avó dela nunca fizeram o mesmo.

Minha avó, muito católica, também já usou véu por motivo religioso. E conheço muitos jovens da renovação carismática que ostentam cruzes no pescoço.

Eu sou a favor da liberdade. E liberdade é até mesmo ter o direito de aderir a um costume considerado por nós pouco libertário.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não se pode duvidar da força de um povo

Quem duvidava da força e do poder de transformação do povo árabe deve ter se surpreendido nos últimos dias. Primeiro, os tunísios derrubaram uma ditadura de 23 anos. Depois, foram os egípcios que colocaram um ponto final no governo de 30 anos de Mubarak.

Quando os protestos do Egito começaram, especulava-se que haveria uma virada islãmica, ou seja, a tão "temida" Irmandade Mulçumana acabaria tomando o poder. É uma dicotomia simplista que coloca de um lado ditaduras seculares e de outro radicais islâmicos usada por nós ocidentais para sustentar governos ditatoriais como o de Mubarak.

Não foi bem o que aconteceu. E, ao contrário, do que se podia esperar, os egípcios não desmobilizaram, não cederam às promessas de aumento nem à repressão. Ao final, ainda deram um exemplo de cidadania limpando as ruas.

Eu que sempre sou otimista continuo acreditando numa transição democrática. Os militares não ousariam contrariar a vontade do povo (acho).

Agora novos protestos eclodem ou continuam na Líbia, Iêmen, Bahrein, Marrocos. É a voz do povo árabe gritando para ser ouvida. É o esforço de um povo para ser protagonista da sua história sem interferências externas para decidir por este ou aquele regime.