Em Buenos Aires
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Culpada ou inocente?
Eu tenho vários defeitos. Sou ansiosa, estressada, agitada, estourada e por aí vai. Mas se tem uma coisa que nunca fui é neurótica. Não costumo me culpar pelo que não posso resolver, nem ficar remoendo erros passados.
Bom, mas quando você se torna mãe parece que colam uma placa de culpada na sua testa. Lendo e conversando com outras mães, vejo que o tema culpa sempre vem à tona.
É claro que me senti culpada por ele ter ficado com fome no primeiro mês, por tê-lo deixado sentir frio ou acordar molhado. Ah! E por deixá-lo cair do sofá. Mas não fiquei me martirizando.
Na verdade, sempre penso que um pouco de adversidade é bom. Tem mãe que nem deixa a criança chorar. Eu deixo só um pouquinho, mas deixo.
A vida não é perfeita pra ninguém. A gente também sente fome, frio, calor e vontade de fazer xixi. E ele nem vai saber, porque nasceu homem, o que é sentir vontade de fazer xixi segurando uma transmissão ao vivo e com alguém (no caso ele) sentado na minha bexiga.
O engraçado é que de tanto ouvir sobre esta culpa de mãe, comecei a me sentir culpada por não me sentir culpada.
Será que devia ser mais zelosa, cuidadosa, menos desencanada? Será que eu preciso me sentir culpada porque ele chorou ou ficou incomodado com alguma coisa? Ou me sentir culpada por não ter me sentido culpada porque ele chorou ou ficou incomodado com alguma coisa?
Pelo visto, mãe tem mesmo uma placa de culpada na testa. E só nossos filhos vão ser capazes de nos perdoar e inocentar um dia. Como fizemos como os nossos pais.
Bom, mas quando você se torna mãe parece que colam uma placa de culpada na sua testa. Lendo e conversando com outras mães, vejo que o tema culpa sempre vem à tona.
É claro que me senti culpada por ele ter ficado com fome no primeiro mês, por tê-lo deixado sentir frio ou acordar molhado. Ah! E por deixá-lo cair do sofá. Mas não fiquei me martirizando.
Na verdade, sempre penso que um pouco de adversidade é bom. Tem mãe que nem deixa a criança chorar. Eu deixo só um pouquinho, mas deixo.
A vida não é perfeita pra ninguém. A gente também sente fome, frio, calor e vontade de fazer xixi. E ele nem vai saber, porque nasceu homem, o que é sentir vontade de fazer xixi segurando uma transmissão ao vivo e com alguém (no caso ele) sentado na minha bexiga.
O engraçado é que de tanto ouvir sobre esta culpa de mãe, comecei a me sentir culpada por não me sentir culpada.
Será que devia ser mais zelosa, cuidadosa, menos desencanada? Será que eu preciso me sentir culpada porque ele chorou ou ficou incomodado com alguma coisa? Ou me sentir culpada por não ter me sentido culpada porque ele chorou ou ficou incomodado com alguma coisa?
Pelo visto, mãe tem mesmo uma placa de culpada na testa. E só nossos filhos vão ser capazes de nos perdoar e inocentar um dia. Como fizemos como os nossos pais.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Aqui e lá
Alguns aspectos comuns da eleição brasileira e da eleição de meio mandato americana me fizeram escrever este post. Aqui e lá, aconteceu, sem dúvida, uma guinada à direita no debate.
Lá, a culpa é da economia. A incapacidade de reação do governo Obama frente à crise (lá muito maior que a marolinha daqui) fez com que parte do eleitorado que depositou esperança no democrata migrasse para os candidatos republicanos, abrindo espaço para uma agenda conservadora.
E é no Tea Party, principalmente, que essa agenda encontra lugar. O movimento, ala do Partido Republicano, surgiu contra as reformas no sistema de saúde promovidas por Obama, mas defende também bandeiras como expulsão de imigrantes e fim da seguridade social. Corte de gastos público chega a ser desnecessário citar.
O movimento vai mais longe. É contrário à inclusão de negros e minorias, ao aborto e aos direitos civis dos homossexuais. Uma das principais líderes, a candidata a vice-presidente derrotada na chapa de McCain Sarah Palin se apropria do discurso religioso para colocar na agenda pública assuntos proibição do sexo fora do casamento.
Segundo o New York Times, o Tea Party tem o apoio de quatro em cada dez eleitores que foram às urnas. Não à toa, o recente movimento conseguiu emplacar sete senadores. Resultado baseado na instabilidade econômica, mas também na forma de atuação da ala republicana radical.
Os membros do Tea Party promovem, por exemplo, treinamento sobre como atrair eleitores. Algumas das dicas são abordar pessoas com crianças, cachorro ou quem tem a bandeira do país em casa.
Os pilares tradição, família e religião que amparam o conservadorismo do Tea Party também estiveram presentes na corrida presidencial brasileira. Num determinado momento da disputa foi a discussão religiosa que pautou o debate e prevaleceu em detrimento da agenda política.
O discurso conservador colocado na campanha significou, inclusive, retrocessos que não serão reparados nos próximos anos. Depois do resultado da eleição, até menções preconceituosas em relação a nordestinos e sectarimos foram colocados. Mas também é importante considerar os avanços.
Nos EUA, os republicanos cresceram em número de cadeiras no Parlamento, mas não pelo discurso conservador. O que preocupa mesmo os americanos no momento é o bolso.
Aqui, elegemos uma mulher, que não ganhou por ser mulher, mas se lembrarmos que há algumas décadas as mulheres nem votavam, este é sim um importante avanço.
Outro, sendo aqui mais otimista e adotando um enfoque pós-habermasiano, é que o simples fato de certos assuntos serem colocados na esfera pública faz com esses assuntos existem.
Se a discussão sobre o aborto, por um lado, trouxe retrocessos, por outro, passou a existir. É assim que se fortalece uma democracia. E a nossa por sinal chegou aos 21 anos. Idade pra amadurecer.
Lá, a culpa é da economia. A incapacidade de reação do governo Obama frente à crise (lá muito maior que a marolinha daqui) fez com que parte do eleitorado que depositou esperança no democrata migrasse para os candidatos republicanos, abrindo espaço para uma agenda conservadora.
E é no Tea Party, principalmente, que essa agenda encontra lugar. O movimento, ala do Partido Republicano, surgiu contra as reformas no sistema de saúde promovidas por Obama, mas defende também bandeiras como expulsão de imigrantes e fim da seguridade social. Corte de gastos público chega a ser desnecessário citar.
O movimento vai mais longe. É contrário à inclusão de negros e minorias, ao aborto e aos direitos civis dos homossexuais. Uma das principais líderes, a candidata a vice-presidente derrotada na chapa de McCain Sarah Palin se apropria do discurso religioso para colocar na agenda pública assuntos proibição do sexo fora do casamento.
Segundo o New York Times, o Tea Party tem o apoio de quatro em cada dez eleitores que foram às urnas. Não à toa, o recente movimento conseguiu emplacar sete senadores. Resultado baseado na instabilidade econômica, mas também na forma de atuação da ala republicana radical.
Os membros do Tea Party promovem, por exemplo, treinamento sobre como atrair eleitores. Algumas das dicas são abordar pessoas com crianças, cachorro ou quem tem a bandeira do país em casa.
Os pilares tradição, família e religião que amparam o conservadorismo do Tea Party também estiveram presentes na corrida presidencial brasileira. Num determinado momento da disputa foi a discussão religiosa que pautou o debate e prevaleceu em detrimento da agenda política.
O discurso conservador colocado na campanha significou, inclusive, retrocessos que não serão reparados nos próximos anos. Depois do resultado da eleição, até menções preconceituosas em relação a nordestinos e sectarimos foram colocados. Mas também é importante considerar os avanços.
Nos EUA, os republicanos cresceram em número de cadeiras no Parlamento, mas não pelo discurso conservador. O que preocupa mesmo os americanos no momento é o bolso.
Aqui, elegemos uma mulher, que não ganhou por ser mulher, mas se lembrarmos que há algumas décadas as mulheres nem votavam, este é sim um importante avanço.
Outro, sendo aqui mais otimista e adotando um enfoque pós-habermasiano, é que o simples fato de certos assuntos serem colocados na esfera pública faz com esses assuntos existem.
Se a discussão sobre o aborto, por um lado, trouxe retrocessos, por outro, passou a existir. É assim que se fortalece uma democracia. E a nossa por sinal chegou aos 21 anos. Idade pra amadurecer.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Sou a favor do aborto, da união homossexual e dos direitos das minorias
Eu jurei que não queria escrever sobre o debate religioso nesta eleição. Primeiro, porque acho que tudo que podia ser dito ou escrito já foi. Segundo porque considero o assunto absurdo a ponto de não merecer comentário. Mas diante da perplexidade que me causam algumas informações que ando lendo por aí, não consegui calar.
Quando o discurso moral e as crenças religiosas se sobrepõem à agenda política é a democracia que sai enfraquecida. E não é a primeira vez que isto ocorre. Foram usados contra Getúlio Vargas, a favor da ditadura e pelos seguidores de Sarah Palin, recentemente, nos Estados Unidos.
Vivemos num Estado laico e esperamos continuar vivendo. Porque no dia que os excessos religiosos passarem a dominar o Brasil, vamos nos assemelhar a países como o Irã ou a Arábia Saudita.
É função do Estado garantir os direitos individuais. E os direitos de mulheres (que abortem ou não), homossexuais, negros, prostitutas, não podem ser maiores nem menores que os de católicos ou evangélicos. O Estado garante inclusive o direito à crença.
Agora, fé é uma coisa, agenda política é outra. Não é possível defender que casamento e união civil são a mesma coisa. Nem fechar os olhos para as milhares de mulheres que morrem em função de abortos clandestinos. E mais: aborto é também uma questão de cidadania. As mulheres só estarão em situação de igualdade com os homens quando exercerem o poder sobre o próprio corpo.
O debate desvirtuado que vem sendo colocado revela uma guinada super à direita. E eu tenho defendido que os conceitos de direita e esquerda deixaram de ter recorte apenas econômico. Hoje, estão mais relacionados a direitos das minorias. A campanha é uma prova. Por isso, com certeza quem sai perdendo são os movimentos sociais, de feministas, homossexuais e de outros grupos organizados da sociedade.
Mas esta campanha é também a contraposição de dois projetos. Um neoliberal e outro social. Leonardo Boff escreveu um artigo sobre o assunto e conclamou a união de dilmistas e marineiros por um projeto social. Porque o do Serra é sem dúvida neoliberal.
Outro representante da Igreja católica, Dom Aldo Pagotto, postou no youtube um vídeo pedindo votos para o tucano. Vale lembrar que ele é sabidamente ultraconservador e foi acusado de acobertar casos de pedofilia quando bispo de Sobral. Portanto ,entre este e aquele, parte de uma Igreja que tinha opção preferencial pelos pobres, fico com aquele.
Voto Dilma, sou a favor do aborto, da união civil dos homossexuais e dos direitos das minorias. Sou a favor da inclusão social num país que durante séculos esqueceu dos mais pobres. E sou a favor da liberdade de imprensa. Porque o Lula pode até reclamar, mas não é ele que costuma destratar nem pedir cabeça de jornalista por aí.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Lula e a imprensa
Os candidatos deixaram de ser os protagonistas destas eleições. O foco do debate gira em torno do presidente Lula e da imprensa. Excessos são cometidos de ambos os lados e a troca de farpas parece infindável.
Certos aspectos deste fenômeno precisam ser considerados. É inegável que nosso presidente é um democrata e já demonstrou isto repetidas vezes. Pode até reclamar da mídia, mas em nenhum momento praticou qualquer ato para cercear a liberdade de imprensa, ao contrário do que acontece em alguns dos nossos vizinhos.
Pra existir liberdade de imprensa, a liberdade de expressão também é crucial. A mídia tem e exerce o direito de falar o que quer, mas Lula também tem o direito, assim como qualquer cidadão, de concordar ou não.
O que a gente não cansa de ouvir por aí são críticas de setores mais conservadores ao controle social dos meios de comunicação, cunhado de censura. Bom, como o próprio nome diz não se trata de controle governamental, mas da sociedade. Já que a informação é um direito de todos, nada mais justo que todos exerçam o controle e não apenas cinco ou seis famílias donas dos principais veículos brasileiros.
Na minha opinião, a perspectiva teórica mais adequada para analisar as relações entre mídia e política é a que considera uma interface entre esses dois campos. Mídia e Política não são excludentes, nem tampouco se sobrepõem, mas caminham juntas, se complementam e ao mesmo tempo se confrontam.
Que a mídia tem um papel central na vida pública é evidente. Essa centralidade não pode ser ignorada na atual arena política, porém também não deve ser superestimada, pois o jogo político continua e não passa a ser exclusivamente midiático.
Nestas eleições, o quadro teórico toma contornos práticos. É claro, que se não existisse corrupção no governo Lula, dificilmente a imprensa seria capaz de provocar um bombardeio de informações contra o presidente e sua candidata.
Por outro lado, mesmo os exageros e excessos do noticiário não têm sido capaz de mudar o quadro eleitoral. Influencia sim. Dilma caiu um ponto nas pesquisas e os outros candidatos conquistaram alguns votos, principalmente, dos indecisos. Mas não reverte o cenário. Os eleitores também levam em conta outros aspectos na hora da escolha.
A possível e provável vitória de Dilma deve deixar de cabelo em pé não só a imprensa e a oposição, mas um conjunto de teóricos e acadêmicos que ainda defendem uma visão, datada do início do século passado, de preponderância da agenda midiática em detrimento da agenda pública.
Em 2006, Lula ganhou sem e apesar da mídia. Agora, tudo indica que Dilma vai repetir o feito. Talvez já no primeiro turno, no próximo domingo.
Certos aspectos deste fenômeno precisam ser considerados. É inegável que nosso presidente é um democrata e já demonstrou isto repetidas vezes. Pode até reclamar da mídia, mas em nenhum momento praticou qualquer ato para cercear a liberdade de imprensa, ao contrário do que acontece em alguns dos nossos vizinhos.
Pra existir liberdade de imprensa, a liberdade de expressão também é crucial. A mídia tem e exerce o direito de falar o que quer, mas Lula também tem o direito, assim como qualquer cidadão, de concordar ou não.
O que a gente não cansa de ouvir por aí são críticas de setores mais conservadores ao controle social dos meios de comunicação, cunhado de censura. Bom, como o próprio nome diz não se trata de controle governamental, mas da sociedade. Já que a informação é um direito de todos, nada mais justo que todos exerçam o controle e não apenas cinco ou seis famílias donas dos principais veículos brasileiros.
Na minha opinião, a perspectiva teórica mais adequada para analisar as relações entre mídia e política é a que considera uma interface entre esses dois campos. Mídia e Política não são excludentes, nem tampouco se sobrepõem, mas caminham juntas, se complementam e ao mesmo tempo se confrontam.
Que a mídia tem um papel central na vida pública é evidente. Essa centralidade não pode ser ignorada na atual arena política, porém também não deve ser superestimada, pois o jogo político continua e não passa a ser exclusivamente midiático.
Nestas eleições, o quadro teórico toma contornos práticos. É claro, que se não existisse corrupção no governo Lula, dificilmente a imprensa seria capaz de provocar um bombardeio de informações contra o presidente e sua candidata.
Por outro lado, mesmo os exageros e excessos do noticiário não têm sido capaz de mudar o quadro eleitoral. Influencia sim. Dilma caiu um ponto nas pesquisas e os outros candidatos conquistaram alguns votos, principalmente, dos indecisos. Mas não reverte o cenário. Os eleitores também levam em conta outros aspectos na hora da escolha.
A possível e provável vitória de Dilma deve deixar de cabelo em pé não só a imprensa e a oposição, mas um conjunto de teóricos e acadêmicos que ainda defendem uma visão, datada do início do século passado, de preponderância da agenda midiática em detrimento da agenda pública.
Em 2006, Lula ganhou sem e apesar da mídia. Agora, tudo indica que Dilma vai repetir o feito. Talvez já no primeiro turno, no próximo domingo.
Assinar:
Postagens (Atom)
